
Quando você olha para mim

Todo mundo já ouviu a sentença: “A vida não é complicada, as pessoas que a tornam assim.”, não? Como as coisas acontecem exageradamente multiplicadas comigo pensem nessa frase bem ao pé da letra para alguém!
E no mesmo momento que tento desbloquear meu cartão de crédito novo sem sucesso, alguns fatos a respeito da casa onde estou morando tentam permanecer sob 7 palmos. Literalmente. Logo explicarei melhor a respeito disso.

Caro visitante deste peculiar blog, você, como eu, deve ter em sua vida algum amigo de longa data. Este, do qual você tanto estima e deposita uma confiança e carinho adicional. Isto, claro, porque foi adquirida tal confiança no decorrer dos anos graças a longas conversas, experiências boas e goles de cerveja ou similares. Assim como você, eu posso dizer que tenho amigos, de infância ou de apenas alguns anos. Estes de maior valor do que vários outros presentes na minha vida. Existem por exemplo, três amigos que conheci em 1996 na época da escola, e agora estando eu morando em Bauru mantemos contato menor, apenas pela internet. Quando cheguei ao colegial algo inédito começou a acontecer, comecei a fazer amigas também. A primeira de todas foi Jaqueline, em 2000, uma garota do qual fui apaixonado desde 1995 até todos os anos seguintes, até eu descobrir que ela se casará no mês que vem (noticia do qual me trouxe um sentimento inédito do qual poderei relatar futuramente). Foi uma amizade legal, mas apenas de escola. Já em 2002, fiz uma amiga que não entendi muito bem na época como viramos amigos. Ela se chamava Camila, quando eu vi ela entre as outras 27 garotas da minha sala do segundo colegial notei que ela tinha algo de diferente, alternativo e aquilo atraia minha curiosidade. Mas não me animei a uma aproximação, já que nos anos anteriores fui me especializando em fracassar tentando fazer novos amigos (anos depois descobri o porquê). Imaginava que a Camila não iria querer papo, provavelmente me acharia um goiaba por gostar de U2 e trabalhar no McDonald’s. Eu era o único não-músico da família, não gostava de literatura brasileira e achava cerveja uma coisa horrível. Já ela gostava de Pink Floyd, Raul, poesia e artes. E não cheirava mal como as garotas que ficavam matando o tempo no Centro de Convivência. Pelo contrario, ela era perfumada. Bom, logo nos primeiros dias notei que um cara aparício ficava o tempo em cima dela, flertando e enchendo o saco, eu imaginava que eles seriam o casal do ano e aquilo ia passar em branco pra mim. Aproximei-me da Júlia, ela era alguém legal também. Também gostava de Raul, mas infelizmente também gostava de Kiss e derivados do rock-trash (Como alguém pode gostar do Kiss em pleno ano 2002?). Ela era uma pessoa simples, mas de coração bom, eu achava ela muito solitária e sempre com um ar triste. Depois descobri por que. Era tudo ok, mas o problema que eu sentia era que a Julia não me permitia me tornar um amigo de verdade dela, o que eu queria era uma amiga que eu me sentiria como irmão, mas ela não dava intimidade o suficiente para sermos grandes amigos por isso a amizade acabou sucumbindo. E isso aconteceu quando conheci a Camila. De fato, a Camila dispensou o cara que a atormentava, e isto foi algo que me surpreendeu, me mostrou que nem sempre o óbvio acontece. Não lembro exatamente como começamos a conversar, mas quando percebi já sentávamos em carteiras próximas para conversarmos a aula toda, rir dos outros, jogarmos truco ou matar aula pra ir ao Habib’s ou ir comer hot-dog (eu adorava tudo isso, já que nunca prestei muita atenção nas aulas em toda minha vida). Aquilo se tornou interessante pra mim, infelizmente a amizade se limitava a escola, mas já era algo, na verdade eu tinha até medo de virar um amigo de fora da escola e acabar fazendo alguma cagada pra estragar tudo. Não tinha nenhum interesse amoroso, nunca vi desse modo, até porque eu já estava investindo em outra pessoa da sala (investimento de curto resultado). Achava interessante seu estilo, diferente das patricinhas de Beverlly Hills do resto da sala, regadas à maquiagem e arrogância. Imaginava que até meu pai iria querer ser amigo dela, pois era totalmente o estilo de amigo que ele iria adorar.
Na mesma época que achei a Camila no Orkut, também achei uma antiga colega de escola da infância. Mas infância mesmo, tipo desde os 5 anos até os 9. Ela se chamava Fernanda, inclusive já foi mencionada nesse blog. Era uma menina tímida, quieta, mas que qualquer um acharia uma graça. Em todos os anos, desde que a vi pela ultima vez em 1993, lembrava dela acima de todos que conheci em Agudos, não sei exatamente por que. Sempre que visitava a cidade pensava em passar na casa dela, imaginando se ainda morava no mesmo lugar e apenas no meio do ano passado tomei esta iniciativa. De inicio já percebi que a Fernanda era uma pessoa diferente agora, também de personalidade forte, mas muito mais sociável do que eu. Gostei de revê-la, mas por algum motivo eu insistia em resgatar o passado na minha cabeça e com isso via as coisas de um modo diferente dela. Pra ela, era como se tivesse acabado de me conhecer e para mim é como se eu a conhecesse a vida toda, tendo viajado apenas por alguns dias. Foi um erro meu, sempre soube, pois ao pensar assim a coloquei num lugar na minha alma que estava vago, reservado a ela, quando na verdade deveria ter estabelecido um grau de proximidade fixo, se é que me entendem. Ela manteve uma certa distancia, totalmente normal, mas para mim o filme estava diferente da sinopse. Eu criei um filme minha vida toda e ele agora estava em outra versão. E por esta minha falta de freio no coração incondicional me afastei dessa amiga que tanto valor tem na minha memória e no que representa o resto da minha vida, desde seu inicio. Me afastei por razões compreendidas apenas por mim, ninguem mais. As coisas que ela me dizia ao meu respeito eram quase sempre verdades mas infelizmente sou de peixes, e sou eu, e com isso levo comigo o que me dizem dentro da alma, e ela dissolve essas palavras como uma sopa fico mexendo essa sopa por muito tempo. Penso muito no que me dizem, principalmente a meu respeito, portanto palavras negativas me chateiam profundamente. Eu sei, exageros, mas foram causados por fatos da minha infância e jamais muda. Se me disse que sou uma péssima pessoa, provavelmente acreditarei e com isso dias cinzas virão a mim por certo período de tempo.
Uma vez uma amiga me disse que sou um cara pronto pra uma vida a dois. Quando ouvi isso não sabia se me sentia ofendido ou contente. Acho que optei pelo ofendido. Porra, quer dizer que não sou capaz de ser um bastardo ao ponto de ser chamado de cretino? Claro que sim, prova disso é que fui chamado de cretino algumas dezenas de vezes, ao que me lembro. Mas talvez o fato de eu parecer submisso a alguma amada seja pelas lembranças da sonoridade do poder da mulher, trazida pela minha mãe nos tempos de família feliz (extintos), quando sua voz era a mais alta da casa, fazendo seu marido e dois filhos, três homens, se calarem de prontidão. Hoje encontramos todo tipo de mulher no mundo, mas sempre tem o seu “tipo” preferido. Eu diria que meu tipo é alguma bem diferente da minha mãe. Sem ofensa, mãe.
Venho me sentindo meio velho ultimamente. Sei que parece paranóia minha, afinal tenho menos de 25 e mais de 20 anos, mas tudo ao meu redor parece caçoar da minha cara mandando sinais incorporados em pessoas vivas. Para ser mais claro vou aos exemplos:

Vizinhos recém-casados tiram qualquer um do sério! É certo: só o amor constrói. Mas tem umas moças e rapazes que pretendem construir todo um universo depois que passam a morar juntos. Não só durante toda a madrugada a gemedeira (e em alguns casos a gritaria!) são nitidamente ouvida pelos vizinhos, mas também em outros horários menos tradicionais. Eu mesmo já testemunhei um urro orgasmático durante o Jornal Hoje, enquanto a maior parte da humanidade está palitando os dentes e ouvindo inocentemente a Sandra Annenberg.
Mas pode ser pior (ou melhor)... Às vezes os vizinhos-coelhos terminam incentivando outros casais de vizinhos a aproveitarem o horário do almoço para recuperar o tempo perdido. E aí, para quem não adere à moda, é como morar num motel... Nestes casos, se você é casado, mora junto, é amancebado ou amigado, vale a antiga máxima: se não pode vencê-los... Afinal de contas, relaxar a gozar resolve até caos aéreo!
E tem também a vizinha que grita. Grita porque é meio surda ou grita porque é mal educada mesmo. Ela acorda 5:30 da manhã no domingo e começa gritando com o cachorro. Depois grita com a empregada, com o filho, com o marido, com alguém que bate à porta... Grita até no telefone, o que me faz questionar-me: pra que telefone se a pessoa do outro lado da linha ouve os gritos dela pela propagação no ar?
Eu tinha uma vizinha que gritava no melhor estilo Nair Bello, e sintia muita pena da empregada dela. Sintia pena de mim também, já que domingo seria meu único dia de real descanso, o dia que eu poderia dormir até as pestanas dos olhos grudarem com meleca de olho.
Chega a ser engraçado! Tem um amigo meu que tem uma vizinha gritadeira que me proporciona boas gargalhadas quando chama marido:
- Ô Uílamis!
Como se fosse pouco, tenho também a vizinha que já foi carinhosamente apelidado de Jardineira da Meia-noite. Isso porque todas as noites, pontualmente à zero hora, enquanto todo o prédio desfruta do silêncio sepulcral do início da madrugada, a cidadã abre a janla da sala e se põe a aguar os vazinhos de plantas que permanece na beira da janela. No primeiro dia foi engraçado, eu estava tranquilamente assistino TV quando de repente começou a chover dentro da sala. Eu, prontamente me coloquei na posição de duvidoso a respeito daquela chuva vinda numa noite sem nuvens e tendo se iniciado tão de repente. Apenas colocando minha cabeça pra fora da janela pra verificar a procedência da tal chuva pude constatar que se tratava apenas de uma certa quantidade de agua caindo gradativamente do andar de cima. Pior que o silêncio noturno só aumenta a riqueza de detalhes audíveis da conversa da jardineira com suas plantas, ou seja lá com quem ela conversa. É possível inclusive ouvir-se o novo encher de água da jarra.
Mas o que realmente me impressiona é a periodicidade e a pontualidade do “momento interação com a natureza”. Todos os dias, meia noite em ponto é a hora de eu fechar a janela pois lá vem água invadindo minha sala. É tão preciso que, quando falta energia e o relógio da TV se desprograma, acerto-o pelo horário da chuva diária...

As pessoas sempre pedem uma explicação sobre o que é, exatamente, Marketing! Pois aí vai uma das melhores explicações.
Na prática é isso aí:
1. Você vê uma mulher numa festa. Você vai até ela e diz: "Eu sou Foda!" Isto é Marketing Direto.
2. Você está numa festa com um grupo de amigos e vê uma mulher. Um de seus amigos vai até ela e, apontando para você, ele diz: "Ele é Foda!" Isto é Publicidade.
3. Você vê uma mulher numa festa. Você vai até ela e consegue o seu telefone. Você liga no dia seguinte e diz: "Oi! Eu sou Foda!" Isto é Telemarketing.
4. Você vê uma mulher numa festa. Você se levanta, ajeita o cabelo, vai até ela e diz: "Com licença." E ajeita a alcinha do vestido dela, roçando de leve no seu braço e conclui: "A propósito, eu sou Foda." Isto é Relações Públicas.
5. Você está numa festa. Uma mulher se aproxima de você e diz; "Me disseram que você é Foda." Isto é Reconhecimento de Marca.
6. Você está numa festa e vê uma mulher. Você a convence a ir para casa com seu melhor amigo. Isto é Representação de Vendas.
7. Seu amigo não a satisfaz e ela liga para você. Isto é Suporte Técnico.8
. Você está indo a uma festa quando você se dá conta que poderia haver um monte de mulheres em cada uma das casas pelas quais você está passando. Você sai do carro e do meio da rua grita bem alto: "EU SOU FODA!" Isto é Spam...