13/08/2009

Into the Heart

    Quando eu era criança meus pais viviam me dizendo que eu cheguei até eles numa espaçonave, vinda de outro planeta. Por muitos anos eu acreditei nisto, na verdade ainda não consigo deixar de desacreditar nisto. Passei boa parte da minha infância olhando as estrelas. Lembro da minha esperança de alguém vir de uma destas estrelas, pousar sob meu quintal e me dizer que há muito mais além daquela cidadezinha interiorana paulista. Torcia para me levarem para uma volta em seu disco voador. Me levarem até a lua para eu tocar aquela bola de queijo com minhas próprias mãos. Descobrir se afinal ela é amarela ou branca. Quando viajava de carro a noite, sempre buscava a lua, procurava observá-la para poder identificar suas imperfeições, fascinado.
    Não consigo me lembrar bem das minhas primeiras memórias, mas lembro de viver numa casa perto de um cemitério, lembro que havia um limoeiro no quintal. Lembro que a vizinha era amiga da minha mãe. Lembro que meu pai trabalhava numa fábrica de cerveja, a mais famosa do país naquela época. Lembro como todos na cidade se orgulhavam por termos aquela fábrica em nossa cidade. Tenho poucas lembranças do meu pai nesta época, talvez porque ele saia para o trabalho logo cedo e voltava quase na minha hora de dormir e aos finais de semana preferia estar com seus amigos de infância. Lembro que eu e meu irmão gostávamos de Comandos em Ação, que 15 anos mais tarde descobri que era o mesmo que G.I. Joe. Lembro o quanto ficamos felizes quando ganhamos os bonecos dos personagens com a tinta militar de pintar o rosto que acompanhavam os bonecos. Alguma tia ou prima do meu pai vinda de São Paulo, que nos deu. Meus pais jamais poderiam pagar tais brinquedos.
    Lembro o quanto nos mudamos em 9 anos, dentro da mesma pequena cidade. Lembro que percebi que minha família era um pouco diferente das outras em algum ponto da minha infância. Talvez pelo fato de recebermos visitas não vivas constantemente, ou pelo fato de apesar de sermos 4 pessoas, na verdade éramos mais, apenas não eram visíveis. Ou poderia ainda ser pelo fato do meu pai um dia ter construído uma antena para transmitir nossa televisão para seres extraterrestres. O vizinho perguntou se aquilo era uma antena para ET, mas pobre homem, mal sabia ele que era verdade.
    Vamos ser sinceros, meu pai nunca foi muito fã de crianças. Ele não tinha um pingo de paciência e apesar de não assumir, o que ele queria naquela época era ainda ser solteiro e aproveitar as aventuras que a vida podia oferecer. Posteriormente descobri o porquê daquilo tudo. Ele ainda tentava aproveitar, mas sem saber que estava cometendo um grande erro que ecoaria pelo resto da vida dele, através da minha mãe, do meu irmão e eu.
    Eu fui uma criança quieta e lá pelos inícios da minha memória até os 9 anos tenho lembranças um pouco estranhas. Não consigo lembrar muito do meu irmão. Será que passamos os primeiros 10 anos de nossas vidas separados, de alguma forma? Lembro da TV, isso sim, de todas as manhãs estar em frente a TV assistindo desenhos e vendo aquilo expandir minha imaginação de uma forma que refletiria pelo resto da minha vida. A TV criou um mundo na minha mente, meu próprio mundo onde as regras fugiam às convencionais e onde o comportamento humano era muito mais profundo do que a real. A única desvantagem era que eu era o único habitante daquele mundo próprio.

20/02/2009

Fazendo Música pra Surdo!


Morando na Inglaterra você encontra música em praticamento todo lugar. Principalmente em Londres. Andar pela Oxford Street é como andar em qualquer calçadão do Brasil (ok, não qualquer mas boa parte). Logo na primeira quadra há uma loja gigantesca de música chamada HMV onde geralmente está tocando uma das paixões nacionais: Coldplay, Keane, Oasis ou The Beatles. De lá para frente há o som dos rádios baratos das lojinhas de souvenirs e estúdios de tatoos da esquina. Pouco antes do final da rua há outra loja de música, que obviamente toca basicamente... Coldplay. Bom, não é bem aí que quero chegar. Afinal, neste exato momento estou sentado dentro da minha sala de aula, junto a meus colegas, onde o som toca... Coldplay. E olha que já não estou mais na Inglaterra, estou num país próximo. O negócio gira em torno da minha situação musical pois a cada vez que tenho que dar o relatório do meu passado (negro e claro) vem a calhar contar que meu pai teve uma banda e tocou por anos e anos ou que minha mãe ama música e é professora de piano e teclado. Também vem a calhar dizer que meu irmão conseguiu seguir esta linha e construir sua paixão em tocar guitarra. O bixo pega quando me perguntam "E você toca qual instrumento?" Putz! Nenhum, nem mesmo campainha pois sempre quero fazer uma gracinha com a capainha e som acaba ficando horrendo, do tipo:

"Pééééé-pé-péééé-pé"


Meu histórico musical foi o seguinte:

* Participante do coral da escola aos 8 anos
* Estudante de teclado por 3 meses aos 12 anos
* Estudante de teclado por 5 meses aos 13 anos
* Estudante de violão por 3 meses aos 14 anos

E daí para frente múltiplas tentativas frustradas de conquistar a amizade de algum instrumento musical, exemplos: voz, guitarra, teclado, youtube e o interfone do apartamento. A falta de dom é evidente mas mesmo assim nunca venceu a insistencia (teimosia). Quando respondo à pergunta acima as pessoas olham para mim com uma cara como se eu tivesse cometido um crime. Mas quem disse que não tenho algum talento? Estou cada vez mais perto de descobri-lo, pô!

19/02/2009

Entre Laços

Onde a vida de constantabilidade termina e a novela se torna um seriado.

Durante minha vida no Brasil as coisas que permanenciam fixas dia-a-dia pareciam se esvanecer ao final da semana e tornarem-se novas ao primeiro momento de certeza. Claro que todos nós sabemos que as coisas são passageiras, mas nunca nos damos conta de que elas poderiam ser mais passageiras se procurássemos tal destino incerto.

As pessoas chegavam à minha vida e eu segurava firme a quem meu espirito batia. Todos nós temos aqueles amigos do colegial, de anos atrás. Ou até mesmo de primário, de séculos atrás. Mas quando você decide abrir mão da corda que te amarra às coisas que chama de valiosas, as pedras se tornam semi-preciosas.

É brincar com o fogo até o fogo brincar com você.


Vim para o exterior com o objetivo de fazer algo de bom. Não para passar a imagem de santo porque de santo me falta muito, mas para cumprir uma de minhas metas na vida. E isto implica em muitas mudanças, é como dar um restart. Você sabe seu nome então pode dar um soco na parede. Ela vai quebrar em um oportuno e inseperado momento.

Estar pronto para conhecer novas pessoas torna todas as imagens que você vê instantâneas e seus olhos se tornam a janela de um trêm em movimento. Estas pessoas surjem como você chegou, com malas à mão e um enorme ponto de interrogação em cima da cabeça. Se aquele ponto de interrogação se encaixa ao meu ponto de exclamação há uma aproximação interessante, uma amizade construtiva de mãos dadas com a toda a lógica e ilógica deste plano doido.

Onde o morro termina e a montanha começa é onde estive, e agora tem muita gente atravessando esta montanha comigo. No momento que deve acontecer, algumas destas pessoas tomam um outro rumo. Ou eu mesmo decido rumar à uma trilha diferente.

Não importa, o destino é sempre o mesmo e a gente se encontra por aí, em algum lugar desta floresta!

10/02/2009

O Último Baile de Garagem

Eu sempre achei que conhecia meu pai bem o suficiente para ter uma opinião extremamente concreta sobre ele. E ele achava o mesmo sobre mim. Mas quando o mundo dá voltas que te tiram um pouco da órbita fica difícil dizer que tudo continua igual quando você coloca os pés de volta ao chão.
Há alguns dias atrás eu estava levando minha vida numa rotina cheia de tarefas que envolviam trabalho e estudo na Inglaterra, me preparando para fazer o trabalho voluntário na África. Foi quando meu celular tocou e ví que era minha mãe quem chamava. Na mesma hora já tive um mal-pressentimento pois estando há 10 meses no Reino Unido minha mãe nunca havia me ligado no celular e eu sabia que ela só ligaria em caso de emergência. Por exemplo, morte. E não foi diferente do que eu esperava, ela me trouxe a notícia que meu pai havia falecido. Eu só respondi "Eu sei." mas na verdade não sei bem como eu sabia.

Passei dias seguintes sendo assombrado pelo céu e inferno, com flash-backs de várias situacões e o sentimento de mea-culpa me rondando o tempo todo. Claro que eu não podia fazer nada para evitar, mas certamente podia ter aproveitado melhor o tempo com meu pai.Eu e ele tivémos uma relacão extremamente complicada durante anos, especialmente durante minha adolescencia (Ô época difícil!). Ele não era tolerante e eu também não facilitava nem um pouco. Minha revolta pelo modo que ele vinha me tratando desde que vim ao mundo se virava contra ele e todos ao meu redor, com as palavras mais idiotas que um adolescente pode dizer. Mas felizmente as pessoas crescem e num belo dia se tornam adultas. E quando certas circunstâncias levam à situacões de união por um bem maior, a aproximidade se torna inevitável.

Quando retornei do meu período de "vou crescer lá fora" terminou, em Maio de 2004, pudemos nos conhecer melhor. Meu pai se tornou o tipo de cara que se torna meu amigo. E conforme fui conhecendo-o melhor fui entendendo muitas coisas do passado.

Meu pai era roqueiro, sempre foi. Tocou em banda de rock nos anos 60 e durante os anos 70 e 80 continuou tocando com os mesmos amigos, apenas por diversão. Adorava rock progressivo e psicodelico. Entendi que sua frustracão por nunca ter se tornando um músico profissional se virou contra ele mesmo. Entendi que pelo fato de querer ser alguem desapegado às coisas materiais e possuir nada além de liberdade também se tornou uma frustracão ao se ver tendo em suas mãos uma família para tomar conta. E isso foi descarregado em mim e meu irmao por muito tempo.

Mas a influencias de tudo ao seu redor te obrigam a tomar caminhos incertos e o destino é sempre aquele momento que você se dá conta do que aconteceu, entende o porquê.

Desde que deixei meu país por um tempo, em Abril de 2008 eu vinha buscando meios de deixar meu pai contente. Fui no concerto de um guitarrista que ele adorava apenas para pegar o autógrafo para ele. Comprei um livro do John Lennon para ele e antes que eu pudesse enviá-lo, ele resolveu deixar este mundo.

Naquela noite do dia em que minha mäe me ligou eu pedi á qualquer coisa maior do que eu que permitisse que eu me despedisse do meu pai enquanto eu dormia. Não sei se isso aconteceu ou não mas de certa forma depois disto me senti mais tranquilo.

Agora me resta as memórias... E a cada vez que vou me deitar ler mais algumas páginas do livro que comprei para ele e nunca pude enviar. De relance, bato o olho no que escrevi para ele na contra-capa do livro:


"Pai, por todo lado há música e isto me faz lembrar de você a todo momento.
Assim como John te inspirou você me inspira.
Seu filho, Julian"

19/03/2008

Volta às Raízes


Voltar às origens nunca é fácil. Lembro de um filme com o Robert Downey Jr., que ví há alguns anos, do qual ele se reúne com a família na casa dos pais depois de anos ausente. Estou me sentindo esse cara.

Estou de volta à minha cidade natal, depois de 14 anos. Eu não diria que o sentimento de nostalgia me ronda, afinal esta cidade mudou assustadoramente. Não é mais uma cidadezinha caipira que eu estava acostumado, onde eu não sabia quem as pessoas eram mas todos sabiam quem eu era. Algumas ainda sabem, mas agora há tantas pessoas que vieram de fora que eu mesmo me sinto um visitante.

O motivo de eu ter vindo para cá foi a esperada viajem para a Inglaterra. Sabendo que aqui eu poderia voltar a ter as mordomias de ter almoço na mesa e roupa lavada e ainda sem gastar um centavo, não hesitei.

Bom, meu novo lar foi a casa do meu pai, onde também moram minha avó, minha tio, meu tio e minhas duas primas. Mas como as coisas comigo não ocorrem com normalidade e os lugares onde vivo são sempre excêntricos, meu quarto foi o cômodo que estava vago, o quartinho do lado de fora da casa onde até o momento estava sendo usado de depósito (de tranqueiras e móveis velhos). Na verdade não se pode dizer que "estava", pois ainda é usado para este fim. O que consegui fazer foi amontoar as caixas e tranqueiras num canto do quarto, e ficou assim até o teto. Nesta montanha de coisas você encontra desde tapetes enrolados até quadros de casamentos, forninhos de acampamento, gravadores antigos, baralhos milenares, ferramentas estranhas malas estampadas de xadrez, violão ganho pela minha tia nos anos 70 e até jornais datados anos 90, 80, 70 e possivelmente 60. Todos estes objetos reunidos me gerou a preocupação de abrigar família de baratas, ou um grupo mais populoso. Bom, o que aconteceu até agora foi que só ouvi barulhos vindos da montanha de tranqueiras, mas ver mesmo não ví nada. E espero não ver.

Mas é engraçado saber que neste mesmo quarto meu pai viveu quando tinha minha idade (mais de 30 anos atrás), e posteriormente outros membros da família também habitaram aqui. Mas eu mesmo nunca imaginei que viveria sob este teto, principalmente agora, com as goteiras.

Logo nas primeiras noites choveu, choveu muito. Eu tinha sido informado sobre as goteiras mas não pensei que fosse tão grave. Acordei no meio da noite com a goteira bem do meu lado, e a gota ao pingar no chão respingava na minha cara. Um belo modo de acordar alguém, claro. Lá fui eu cobrir a TV (a salvando da morte certa) , arrastar o colchão e pegar um balde. Mas notei que havia outra goteira no outro canto do quarto, próximo ao PC. Arrastar móveis velhos e mais balde. Vou me deitar e começo a ouvir pingos, agora em cima das sacolas, no outro canto do quarto.

E minha sina é arrastar móveis e colocar balde ou panela, parecia desenho do Pica-Pau.

Mas morar aqui é bom, tem speedy, gente pra conversar, comida, roupa lavada... nada melhor que umas férias antes de ir penar na terra da Rainha!

15/03/2008

Sometimes You Can Make It On Your Own.

Eu estava certo, o tempo não é relevante. De fato, ele não tem importância nenhuma em assuntos ligados a afetividade.
A noite de 14 de Março não correu como eu esperava claro. Se tivesse, o blog não teria tanta graça.
Estou refazendo este post. Quem está sempre por aqui sabe que as vezes refaço postagens, isso acontece porque muitas vezes, na hora de escrever, os ânimos se exaltam e saem palavras que posteriormente podem não trazer o tipo de retorno que se pode considerar seguro.
Se eu escrevesse aqui o que realmente se passa na minha cabeça a respeito dos que orbitam minha vida, muita gente ia me odiar.

14/03/2008

Parabéns Para Mim!

Muito tempo se passou desde minha última postagem. Tem gente que já deve estar imaginando que abandonei o blog. Isso não vai acontecer tão cedo, até porque logo este será meu único meio de dar notícias a respeito de mim para aqueles que me conhecem e desejam saber se estou vivo.
Engraçado que quando posto com freqüência, reclamo da falta de atividade ao meu redor. Que nada acontece e que a rotina impera. Mas quando coisas começam a acontecer não sobra tempo para escrever a respeito disso no blog, e nem mesmo sobra calmaria na mente, principalmente na minha. Tudo fica bagunçado e um turbilhão de pensamentos me impede de pegar no sono à noite.
Hoje é meu aniversário... Não que seja algo que traga muita animação, mas traz um ano a mais de percurso. Vinte e três, para ser mais exato. Não sou daqueles traumatizados que detestam o próprio aniversário, mas posso afirmar que ainda estou esperando um 14 de março legal, espero que seja este, pois no último eu chamei praticamente todas as pessoas que conheço para celebrarem comigo num bar mas o desfecho foi típico de filme de comédia, eu sentado na mesa sozinho até aparecer apenas uma das vinte pessoas que chamei. Mas foi bom, tentei me animar, afinal era uma amiga que conheci quando eu ainda borrava as calças, dormia com ursinho e chupava o dedo. Não que o tempo seja algo tão relevante, afinal minha própria mãe me conhece há quase 23 anos e não apareceu naquela noite.

13/02/2008

When You Were Young

Na tarde da última segunda feira, logo após o trabalho, peguei um ônibus para Agudos. Deveria ir pra lá para um exame de sangue no dia seguinte às 7:00 da manhã (diga-se de passagem: =\ ).

Cheguei na casa dos meus avós, tomei um banho, jantei.. conversa vai, conversa vem, minha vó me chama para mostrar um envelope A4 cheio de cartas. Cartas! Cartas escritar pela minha mãe, meu irmão e por mim em 1995, quando acabávamos de ter mudado da cidadezinha Agudos para a metrópole Campinas.

Bem mais tarde, quando estava pronto pra dormir, resolvi ver as cartas mais detalhadamente na cama. E que história... muitas lembranças perdidas, muitos momentos contados, tristezas compartilhadas...

Foi interessante ver meu irmão contando das gatinhas da escola, minha mãe contando que o chefe do meu pai queria que ele o secretariasse, organizasse reuniões pelo telefone, apresentações gráficas, etc.. "... o Fernando não consegue nem organizar a gaveta de cuecas dele, mãe!", ou contando sobre quando foi me levar na ecola no meu primeiro dia de aula da quarta série e nos perdemos na gigantesca escola. Ou até me ver contando sobre o incêndio que quase dominou nosso prédio e levou minha tartaruga pro céu.

Segue um trecho da carta da minha mãe: "Estou enviando o Diarinho (jornal) a vocês. O Julian escreveu pra lá, mandou uma história em quadrinhos que ele desenhou, me encheu o saco pra por no Correio, e não é que publicaram a carta dele? Ele é tão surtudo que quando foi comprar o jornal no sábado, tinha uma fotógrafa do Diário do Povo na banca e até o ajudou a procurar a carta dele. Ela falou para ele escrever mais vezes e mandar uma foto pra sair no Diarinho. Até a historinha do Cebolinha que ele pediu, publicaram..."

Mas o mais surpreendente foi ver o modo de pensar de cada um na época, assim descobri coisas que passavam em branco naqueles dias. Minha mãe contando sobre umas fotos 3X4 que tiramos, eu e meu irmão, com camisas que insistimos para ela comprar (horríveis!). A preocupação com nossas amizades, com o fato de ficarmos presos no apartamento cheios de energia dos 10, 11 anos....

Outro trecho da minha mãe, demostrando um típico problema familiar: "... Acabei de levar o Ju na escola e infelizmente colocaram ele de manhã. Vou ver se consigo trocar para a tarde, senão minha vida vai ser um rolo! Isto aqui vai virar um hotel com 3 horários de almoço: o do Fernando (meu pai), do Julian e do Cristian (meu irmão)..."

Me bateu uma tristeza por entender o que éramos e o que nos tornamos.

Éramos uma família de 4 pessoas felizes um com o outro, com a novidade de uma nova cidade. E esta nova cidade por ser grande e assustadora nos unia ainda mais. Lutávamos com os horários, com a falta de grana e o perigo eminente do desemprego.

Nos tornamos 4 pessoas sozinhas. Cada uma vivendo em uma casa diferente, pensando nos momentos de outrora e tentando compensar esta dor com alegrias passageiras.

Vou em frente, agora, com esperança no futuro e assim poderei recompensar isso um dia, com minha futura família.

03/02/2008

A Partida

Visão, olfato, som e tato.
Há algo lá fora que preciso muito
A visão de um som,
ou o toque de um cheiro
Ou a força de uma árvore,
com raízes profundas ao chão.
A mistério das flores, brotando,
depois surgindo e crescendo
Karma que me leva...
ao Sol, de novo
Voar ao Sol sem queimar as asas
Pra deitar no solo e ouvir a grama cantar
Para ter todas estas coisas...
na nossa curta memória
Para usar isto
Para ajudar
Para encontrar...
Julian Criscione (03/12/2007)

21/01/2008

A Day In The Life


8:10

Acordo pelo despertador do celular, perto de mim. Abro os olhos com uma preguiça extrema e apenas após o despertador tocar 3 vezes as primeiras notas de Miracle Drug consigo levantar.

Pouco depois estou saindo de casa, rumo ao trabalho. Não posso reclamar, fica há apenas 2 quadras de casa. Nas ruas não há ninguem. Nenhum carro, nenhuma pessoa indo ao mercado. Nenhum cachorro vira-latas dando sua caminhada matinal.

Quando chego abaixo pra destravar a grande porta de ferro, a levanto, destranco a porta de vidro e desativo o alarme. O lugar é o mesmo que venho vendo nos últimos 16 meses da minha vida, uma loja de celulares.


9:00

Faço uma breve limpeza na minha mesa, ligo o filtro de água, o rádio, as máquinas de cartão de crédito, as impressoras, os ventiladores de teto, meu computador e o servidor no fundo da loja. Coloco os celulares na vitrine, pego a chave na minha gaveta e abro a loja.

Dou uma passeada pelo Orkut, e-mail, formulários da TIM.. papelada chata... canto uma musiquinha... fazia tempo que não ouvia Beatles...

Ninguém entra no lugar, ninguém telefona. No MSN não há ninguem, apenas meu próprio nome on-line. Me faz pensar: como adicionei a mim mesmo no MSN?


12:00

Desligo o monitor do PC, apanho meu celular, minha carteira, meus óculos escuros e saio pela porta de vidro. Caminho 3 quadras até a rua Gustavo Maciel onde ao contornar à esquerda já vejo o Restaurante Quintal. Apesar do nome, ele não é num quintal, é muito agradável o lugar e não lota tanto como em outro. Mas não há absolutamente ninguém neste momento. Eu contorno o caminho da fila para passar pelo churrasqueiro e quem sabe pedir um medalhão de frango, ou um cupim. Mas como ele não está passo direto, até o balcão das comidas. Coloco mais feijão e menos arroz, mais batata-frita e menos salada. Apanho os talheres e me sento na mesa habitual, perto da TV para eu poder ver um pouco do jornal. Se houvesse alguma compania eu escolheria a mesa na varanda do restaurante, onde é mais agradável e dá um clima mais "externo".

Em vinte minutos já tenho terminado e estou satisfeito. A caixa não está lá para cobrar, portanto apenas me levanto e saio pela porta.


15:00

Ninguém. Dá vontade de me comunicar um pouco, então procuro no computador alguma música que eu saiba cantar. Quem sabe aquela do Elvis, Burning Love!


18:00

Hora de ir embora, e é hora do rush. Mas nenhum carro buzina, nenhum ônibus corta a avenida, ninguém atravessa a rua correndo. Guardo os aparelhos, desligo tudo, baixo a porta de ferro, aciono o alarme e vou-me embora.

Chego em casa em pouco tempo. O lixo ainda está do lado da árvores. Os lixeiros devem estar de greve! Abro o cadeado, entro pelo portão, atravesso a varanda e destranco a porta da sala. Entro pela porta do meu quarto e me esparramo na cama, descansando por 5 minutinhos apenas. Levanto, vou até o banheiro tomar um banho.


19:20

Deitado na cama assisto um pouco de TV, apenas há desenhos... e jornal exageradamente trágico... jogo um pouco de poker no celular, leio algum livro que está em cima da mesinha do canto, ou um anúncio de TV a cabo qualquer...


20:00

Ligo o PC, já coloco alguma música... ligo a internet. Ninguém no MSN ainda, nenhum recado no Orkut e não há e-mails novos... Nada mais resta a fazer senão escrever um pouco no blog, me sinto inspirado hoje!


23:30

Desligo o PC, vou até a cozinha e da geladeira retiro um pote de 2 litros de sorvete. Ao invéz de pegar um potinho e um talher, pego apenas a colher e ja vou experimentando a caminho do quarto. Ninguém liga, ninguém aparece em casa. Coloco algum filme no DVD... Ainda não terminei de ver Yellow Submarine!


0:45

Escovo os dentes, saio pela porta da sala até a varanda apenas pra dar uma olhada no céu. Um silêncio tão grande que ecoa pelos quilômetros que me cercam. Nenhuma voz, nenhum som de carro ao longe. Está esfriando! Entro, tranco a porta da sala. Ja vou em direção ao quarto. Tranco a porta do quarto, pego uma garrafinha de água que está sob a mesa do computador e coloco ao lado da cama. Ajusto o despertador do celular, coloco a TV em um canal qualquer para dar sono e apago a luz.


1:50

Desligo a TV, viro de lado, fecho os olhos e me pergunto:
"Estou invisível para o mundo ou o mundo está invisível para mim?"

03/01/2008

Quando Eu Olho Para Mim


A maioria das pessoas quando entram num ano novo tem a convicção de terem pela frente um ano ótimo, muito melhor que do que aquele que acabou de terminar. Isso é um fato. Mas e quando você já começa o ano na lama (para não dizer palavrão)?

O que aconteceu nos últimos dias de 2007 e primeiros de 2008 foi que em praticamente todos os dias eu briguei com alguém. Nem sempre essas brigas são causadas por mim, devo deixar claro. O problema é que não tento mais amenizar estas discuções. De fato, eu as pioro, e de propósito. Me sinto culpado por isso... minto, não me sinto. Mas sinto que preciso mudar isso, pois está me incomodando e eu não gosto da pessoa que me tornei. Voltar a ser a pessoa que eu gostava de ser. O problema é que a última vez que eu gostava de quem era eu tinha 9 anos de idade. Sei que preciso mudar, por isso estou iniciando algumas mudanças na minha vida a partir de ontem. Relacionadas a meio social, principalmente. Também envolvem mudanças em mim mesmo, claro. Eu não seria tão arrogante de não achar que tem algo errado comigo.


Hoje passei boa parte do dia pensando sobre todas estas coisas e cheguei a uma resposta do porque ano agindo assim. Mesmo querendo negar, é um problema de auto-estima. Esse problema foi causado pelas muitas rejeições de dezembro. Não só amorosas, mas em relacionamentos no geral. Pior que são rejeições decorridas de ilusões, ou seja, a pessoa demonstra grande consideração por você e de repente pisa na bola de uma maneira que magoa até a alma dos meus futuros netos. E com isso me sinto mal. Sendo somada a outras situações iguais me emerge esta baixa auto-estima.

Com essa baixa auto-estima vem um sentimento diferente, não de vingança, mas de justiça. Justiça contra mim mesmo, não medindo palavras a quem me ofende e fazendo assim me odiarem.


Descobri que meu desejo oculto, neste momento, é fazer todas as pessoas que eu conheço me odiarem. Isso porque quanto mais só eu estiver, menos chance de me magoar terei.


Isto é um fato, sabemos. Um modo mais fácil de se viver, mas mais amargo.

Tenho certeza que não é isso que quero, até porque em poucos meses estarei embarcando para uma vida nova e não posso fazer esta transição estando em cima da minha própria nuvem apenas.

Procuro respostas vindas de mim mesmo.



Quando você olha para mim
O que é que você vê?
As pessoas encontram todo tipo de coisas
E trazem até você
Eu vejo um sentimento
Tão claro e tão verdadeiro
Que muda o clima
Quando você entra no ambiente

Então eu tento ser que nem você
Tento sentir como você
Mas sem você não tem jeito
Eu não consigo ver o que você vê

Quando você olha para mim
Quando a noite é de outra pessoa
E eu fico tentando dormir um pouco
Meus pensamentos são muito caros
Para querer permanecer com eles

Quando há todo tipo de conflito
E tudo mundo caminhando com dificuldade
Você nem pisca agora, não é?
Nem olha de longe

Então eu tento ser que nem você
Tento sentir como você
Mas sem você não tem jeito
Eu não consigo ver o que você vê
Quando você olha para mim

Eu não consigo esperar mais
Eu não posso esperar até ser mais forte
Não consigo esperar mais
Para ver o que você vê
Quando você olha para mim
Eu estou na sala de espera
Não consigo enxergar por causa da fumaça
enso em você e em suas palavras
Enquanto o resto de nós espera

Me diga, me diga... o que você vê?
Me diga, me diga... o que há de errado comigo

29/12/2007

Esperar


Esperar é definitivamente uma coisa que não gosto!

Esperar ligação, esperar ônibus, esperar pessoas, esperar compromissos...


Exatamente por isso, as vezes Deus resolve brincar um pouco comigo.


Esperar alguém te ligar, porque combinou de sair naquele dia contigo. E enquanto a espera no telefone, também espera no MSN. Espera em vão. Espera que resulta em frases como "te magoei?" Espera que desanima, espera que magoa.


Esperar o dia passar porque no dia seguinte marcou de sair com outra pessoa. Esperar em vão novamente. A pessoa te dá o cano!

Esperar por um pedido de desculpa mas encontrar frases como "você não respeita meus sentimentos"

Esperar por alguém respeitar seus sentimentos, assim como sua paciência.


Esperar que as pessoas, um dia, tomem jeito e não façam mais outras pessoas esperarem.

Balanço de Estoque

Mais um ano se foi.
2007 acabou.

Pra muita gente isso significa pouco, a passagem de ano não é nada além de uma troca de números. Pra mim também, afinal não se pode colocar as mudanças necessárias a cargo da virada de ano. Estas mudanças ocorrem, pelo menos comigo, a todo momento. Em qualquer mês.
Mas o início de um novo ano pra mim é uma renovação, sim. Um balanço seguido de um upgrade. E para aqueles que desacreditam em mudança, basta ler a frase que mantém meu blog em pé. “Nós devemos nos tornar a mudança que queremos ver no mundo” e está explicado! Eu não me considero uma pessoa muito boa. Eu era bom quando criança. Com o tempo meu foco foi desviando do que era real para se acostumar com o que era vantajoso, mas não propriamente positivo. Posso estar exagerando, mas isso tem me incomodado. Acho que em nenhum outro ano eu briguei tanto com as pessoas como neste. Mas penso que tem o outro lado, estou mais crítico, rejeitando cada vez mais injustiças e com isso tento aprender.
Afinal, a vida é um aprendizado constante. Com isso teríamos que ser cada vez pessoas melhores, à medida que envelhecemos, quando o que ocorre é o contrário. Eu quero entender estas coisas pra poder melhorar a mim mesmo.
Então, nada melhor que aproveitar essa época de renovação pra fazer uma reforma interior. Eu estou precisando muito disto! Um balanço seguido de uma faxina mental.
Em 2007 eu decidi começar o planejamento de um novo rumo pra minha vida, que iniciará no dia 14 de Abril de 2008. Também consegui algumas mudanças emocionais (lê-se: não se apaixonar), isso me poupou de muitas decepções. Mas não me poupou de decepções ligadas a amizades e a família. Quanto a isso não há o que se fazer, penso eu.
Infelizmente não posso dizer que 2007 foi um ano bom. As coisas ruins superaram as boas. E muitas delas foram causadas por mim mesmo. Colocar a emoção acima de tudo não é uma decisão sábia, estejam certos disto. Mas eu ainda aprendo...
Eu estava lendo meu balanço do ano de 2006 e não pude deixar de notar quanta esperança estava presente, tentando manter a mesma energia que terminei aquele ano. 2006 foi um ano, sem dúvida, muito melhor. Muita coisa era constante e foi perdido. Amizade, família, moradia, alegria.
Porém, este balanço de 2007 que soa um tanto negativo não deixa de abrir os braços e esperar um ano muito melhor. Com mais alegria presente, mais amor presente, mais pessoas boas presentes e mais compreensão presente.

Lá vamos nós de novo!

24/12/2007

:) É (quase) Natal!!

clique na imagem para aumentá-la!
FELIZ NATAL A TODOS!!!!!

21/12/2007

Emoções "Dezembrais" Constantes

Todo mundo já ouviu a sentença: “A vida não é complicada, as pessoas que a tornam assim.”, não? Como as coisas acontecem exageradamente multiplicadas comigo pensem nessa frase bem ao pé da letra para alguém!
Eu não sei ao certo se sou eu que torno minha vida complicada ou se são as pessoas ao meu redor, acho que é a soma das duas coisas. E visto tudo isso pelos meus olhos fica ainda mais complicado.
Estando com menos de cinco meses antecedendo minha partida do país, vejo como as coisas começam a se tornar cada vez mais efusivamente memoráveis.
Uma coisa boa antecede várias ruins, é um fato. Mas é ruim aos olhos de quem as vê assim. Me faz pensar o quanto o coração de cada um agüenta.

No começo de Dezembro tive a noticia do ano! Minha amiga Camila viria me visitar em Bauru, vinda de Campinas. Eu já me surpreendi pelo fato dela estar disposta a viajar 6 horas, gastar uma boa grana e ficar hospedada na casa de 3 homens numa casa velha assombrada construída por índios, mais notável ainda fazer tudo isso apenas para matar a saudade de um amigo. Quando eu soube disso minha cabeça entrou em parafuso! Eu jamais vi grande esforço de alguém por mim, a não ser de meus pais. Como é possível alguém ser tão disposta a alimentar uma amizade de 300kms de distância. Afinal eu e a Camila éramos apenas amigos da escola, do colegial. Matávamos aula para ir no Habib’s, jogávamos truco, trocávamos bilhetes comentando sobre nosso colegas bobos, mas no final do ano letivo tudo acabou. Só voltou 3 anos depois, pelo Orkut (que, quem diria, teve alguma utilidade na minha vida!). Camila veio, e estabeleceu uma presença tão marcante que muita gente que conheceu ela, sentiu uma força e alegria que só eu pensava sentir. Minha mãe até chorou quando ela foi embora. Eu nunca vi a Camila de mau-humor, de cara amarrada, de bico. Só contagia alegria e palavras boas, mas não forçadamente e sim de uma maneira naturavelmente verdadeira. Quem me dera ter 1% de luz que sua alma tem. O dia que ela foi embora para mim foi a partida mais difícil da minha vida até hoje. Eu disfarçava o choro perto dela, mas por dentro me derrubava em prantos. Eu nem conseguia falar direito. Só quando ela foi à direção ao ônibus não agüentei e comecei a molhadeira. E foi assim nas horas seguintes. E foi quase assim nos dias seguintes, muita lembrança da sua presença, muitas palavras no ar, muitos momentos voltavam a cabeça e traziam uma saudade latejante. Engraçado como você pode gostar tanto de alguém incondicionalmente. Para mim, esses sentimentos só existiam no amor condicional, eu ainda não tinha os presenciado de um modo sem paixão, apenas amor de amigo. Mas eu digo que a Camila é mais irmã pra mim do que qualquer coisa. É uma das pouquíssimas pessoas que eu daria minha vida para salva-la.
E foi assim, um céu, o fim de semana. Poucos dias antes eu iniciei um caminho contraditório. Mantinha firme a idéia de não me envolver com ninguém por causa da viajem, mas senti essas palavras se dissolverem na presença de alguém que conheci. Mas que ironia, essa pessoa, afinal, não quer um relacionamento. Eu ainda não aprendi a estar com alguém sem rolar sentimento, mas que defeito meu! Neste mundo que vivemos já é hora de eu aprender que sentimento não faz parte de um beijo e relacionamento não faz parte do meu futuro. É que ainda não consegui aceitar isso, não é fácil, sabem?

Ao mesmo tempo, fim de ano sempre me faz lembrar como são como o juízo final: Você tem que achar um teto para esperá-lo e pessoas para te acompanhar. Meus natais sempre foram um verdadeiro pesadelo, pois minha avó faz questão de estragar o clima de todos os natais da família. Foram todos assim, exceto o que passei sozinho, em 2004. Já o ano novo eu passei a não mais ir na casa da minha família paterna, pois no resto do ano não lembram que eu ou meu irmão existimos. A saída é aguardar a cara de dó de algum amigo que decide te chamar. Foi o caso do Sandro e da Roberta. Não sei o que faria sem eles. Até comprei um presentinho pra cada um, pra dar quando for lá.

Sinceramente, não sei como ainda não odeio o Natal e Reveillon. Deve ser porque ainda tenho esperança que eles serão bons, quando eu tiver, um dia (quem sabe), minha própria família.
Nestes dias de turbulência, minha lagosta Napoleão III faleceu. Salmão, meu peixe beta, a matou. Mas como pode um beta conseguir matar uma lagosta? Isso foi outro aprendizado para mim, jamais colocar uma lagosta e um beta no mesmo aquário!
Enquanto isso, na Inglaterra, as pessoas continuam cobrando minha vinda. Mas calma, pessoal, não é fácil conseguir 3 mil reais!!! E no mesmo momento que tento desbloquear meu cartão de crédito novo sem sucesso, alguns fatos a respeito da casa onde estou morando tentam permanecer sob 7 palmos. Literalmente. Logo explicarei melhor a respeito disso.

01/12/2007

Amigo, Um Ensaio

Difícil querer definir amigo.

Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.

Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas.

É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu.

É aquele que cede e não espera retorno, porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o realimenta, satisfaz.

É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você.

É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.

É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir".

É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas.

É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia.

É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.

Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando problemas.

É quem tem medo, dor, náusea, cólica, gozo, igualzinho a você.

É quem sabe que viver é ter história pra contar.

É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com seu sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos.

É o achar daquilo que você nem sabia que buscava.

Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas.
É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos.
Amigo é multimídia.

Olhos... amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática.

É aquele que percebe em seus olhos seus desejos, seus disfarces, alegria, medo.

É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no seu olhar, e
é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando tristeza interior.

É lua nova, é a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris.

Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação:
amigo é quem te ama "e ponto".

É verdade e razão, sonho e sentimento.

Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.

(Autor Desconhecido)

30/11/2007

E Tem Gente Que Pesca Acordado...

Pescar é uma coisa maçante. E não sei qual é o problema das pessoas com isso, porque elas implicam em pescar esportivamente. Eu mesmo não consigo ver sentido em jogar um arame farpado no rio, furar a boca de um animal e jogá-lo de volta quase morto de volta à água.
Pense bem, o peixe está fazendo o que sempre faz, passando seu dia tranquilamente quando é surpreendido por um rango fácil. Rapidamente se delicia, mas a um custo drástico, sua integridade física e moral é colocada em questão. Com uma ponta de ferro atravessando sua boca, é retirado de seu habitat a força e admirado por seres humanos, estes que se dizem superiores. Após ter sido admirado por todos ao redor, o peixe tem o anzol retirado a força e é jogado de volta à água, saindo nadando mais morto do que vivo. Não entendo bem a finalidade disso...
Alguns anos atrás, na era pré-histórica ou mesmo hoje em civilizações costeiras, seria compreensível ver a pesca com a finalidade de alimentar a quem possa interessar. Mas se nestes pesque-pague, onde tiozões tomam cerveja enquanto admiram a vara de bambu esticada afrente, chamando a si mesmo de esportista e relatando sua tarde como seu hobby, o único beneficiado é o dono do pesque-pague, eu vos digo que nestes lugares tirei como aprendizado o quanto chato é pescar.
Mas com tudo isso, é possível tirar um grande ensinamento dos peixes: cuidado com as coisas boas que aparecem fácil demais, elas podem trazer uma dor terrível.

20/11/2007

Rain... rain... rain!

    Uma vez, quando eu era criança, meu pai ironizou a respeito de uma situação minha e mencionou uma tal de Lady Murphy. Apenas anos depois veio a meu encontro uma explicação sobre o significado de tal palavra. Isso me fez começar a acreditar que essa Lei de Murphy talvez me persiga, regularmente. Por exemplo: aqui onde moro, a cidade-lanche chamada Bauru, o clima anda incerto. Ora chove, ora faz um calor de fritar as orelhas como bacon, ora o céu é coberto por imensas nuvens que recordam o filme Independence Day. Eu, como um bom ser humano que tem lá suas dúvidas a respeito de “ser” humano, gostaria de tomar uma boa chuva. Daquelas de chegar em casa encharcado, com os sapatos fazendo “splof, splof” e a camiseta pesando 2 kilos. O motivo disso talvez seja para recordar aqueles velhos momentos da adolescência, de sair na chuva com os amigos. Ou para simplesmente ficar com aquela boa sensação de “alma lavada”, levada pela chuva ao bueiro. Porém o que vêm acontecendo é que levo a chuva embora, ou ela foge de mim. Outro dia eu estava andando pela Avenida Nações Unidas e o tempo fechou de repente. Logo pensei: “É hoje que tomo aquela chuva!”. Mas que nada, foi eu colocar os pés dentro do saguão do prédio que a chuva começou a cair, e eu perdi! No segundo dia, eu estava novamente a caminho de casa e começou a chuva. Juro ter sentido 12 pingos apenas, deu pra contar sim, foi uma chuva medíocre. Não me veio outra reação senão olhar para o céu e dizer: “É isto que você chama de chuva?” E não adiantou, pois nenhum pingo mais caiu. Nesta tarde houve outro desentendimento climático, aconteceu lá pelas 18 horas. Eu já estava pronto para sair do trabalho e ir pra casa quando começou uma chuva torrencial, que me recordou o filme “Frankenstein”. Novamente surgiu a frase, ecoando na mente “É hoje!”. A energia acabou, o céu desabava, os carros derrapavam na rua, uma árvore caiu perto dali, derrubada pela força do vento. Peguei minha carteira, chave, celular, coloquei um sorriso no rosto e saí pela porta. A chuva começou a cessar. Tudo parou e a vida continuou. Molhei apenas meus sapatos, graças ao sistema planejado de alagamento de Bauru, e fui embora frustrado pela repetida situação.
    Sinceramente já estou a acreditar que quando eu estiver indo a um compromisso, ou indo a algum lugar importante, vestido bem como nunca, com um terno Giorgi Armani, a chuva vai me pegar e me fazer pagar pelas palavras irônicas que rondam minha órbita mental.

RAIN - THE BEATLES
"Se a chuva vem eles correm e escondem suas cabeças
Eles acham que seria melhor se estivessem mortos.
Se a chuva vem, se a chuva vem.
Quando o sol brilha, eles correm pra baixo da sombra,
E preparam suas limonadas,
Quando o sol brilha, quando o sol brilha.

Chuva, eu não ligo,
Brilhe, o tempo está bom.

Eu posso te mostrar que quando começa a chover
Tudo é a mesma coisa;
Eu posso te mostrar, eu posso te mostrar.

Chuva, eu não ligo
Brilhe, o tempo está bom.

Você pode me ouvir que quando chove e brilha (o sol),
É só um estado da mente,
Pode me ouvir?
Pode me ouvir?"

05/11/2007

All You Need Is Love!


All you need is love. Tudo que você precisa é amor e parece tão difícil de conseguir hoje em dia. Para a ciência o coração humano não tem limites. Para a compreensão esotérica, espiritual, religiosa e moral o coração humano não têm limites. Pelo menos nisso todos nós concordamos. Mas acho engraçado o fato de utilizar nosso potencial humano de forma tão exageradamente sentimental e pouco uso da razão fazemos. Eu mesmo sou um bom exemplo disso, na hora do apuro, quando a situação me pede ação imediata eu ajo movido pelo sentimento, o que constantemente piora ainda mais a situação. Engraçado que eu reconheço isso, de experiências anteriores, mas como é difícil mudar! Tomar a decisão correta levando em conta a praticidade que ela pode conter. Mas acho que estou conseguindo, mesmo tendo quem duvide.
Para mim há duas coisas em nosso corpo que nos move pelos dias. Uma é a mente, o cérebro, e a outra é o sentimento, o coração. Rivais em alguns momentos, aliados em outras. Eu mesmo vivo em constante turbulência por isso, parece pouco espaço para muita coisa. Vejo gente que consegue lidar com isso com enorme facilidade e os invejo. Nas horas de calmaria da noite, remexo no que permanece intacto na minha mente, volto às lembranças da boa infância, da época que não me decepcionava com as pessoas. Ninguém podia fazer uma mágoa permanecer, pois a criança é inocente e a tudo perdoa. O tempo que a tristeza não deixava feia a alma e não deixava velho o corpo. Isso acende o coração, despertando sentimentos que outrora preferiam se manter ocultos. A resposta está nas palavras daqueles que o descrevem, detalham-no como uma pessoa complicada. Afinal, o não-complicado seria quem não remexe em sua própria existência e no que é? Porque nascer e não querer saber quem é e todo o potencial que sua alma tem, para assim entrar em maior harmonia entre os outros seres humanos e poder ser útil para eles?
Talvez se todos nós quiséssemos fazer bom uso de poder que temos em mãos, teríamos um lugar melhor para morar. E não é difícil provar isso, temos como exemplo a diferença social entre países e continentes. A qualidade de vida de um país com o Brasil remete á 1500, 1600, quando foram trazidos para este lugar pessoas que tinham como menor importância quem estava vivendo ou morrendo. Carregamos muito disso até hoje, alguns mais outros menos. Eu, que lido com todo tipo de pessoa diariamente, fui notando com o tempo que as pessoas já não têm vontade de serem realmente boas. A maior parte de nós encontramos a felicidade em coisas tão banais e sem importância que se olharmos com mais atenção passado um tempo percebemos o quão ingênuos nos fazemos.
Mas eu não estou aqui para ensinar ninguém a viver, até porque eu mesmo, como já disse, me pego cometendo estes erros de vivência frequentemente. O que queria fazer você entender é aquilo que está na nossa frente, presente em nossos olhos, mais claro que cristal. É possível trabalhar mente e coração juntos, trazendo assim o sentimento mais puro à tona. O amor. O amor que move nossos futuros de encontro àqueles que também o valoriza. Eu acredito num futuro onde muitos entenderão o que as canções já dizem: Tudo Que Precisamos é Amor! e assim tornaremos nossa vivencia e nosso próprio planeta um lugar muito melhor. Eu busco essa mudança em mim e nos olhos dos outros.

Mantra
Maria Rita

A paixão é como Deus
Que quando quer
Me toma todo o pensamento
Dirige os meus movimentos
Meu passo é teu
Meu pulso é desse todo poderoso sentimento

27/10/2007

In a Little While

Há uma certa turbulência no ar. Não um ar negativo, como eu pressentia erroneamente há algumas semanas. Mas uma sensação de que as coisas estão se movendo ao meu redor deuma forma que não posso mais regressar ao que era antes. E o velho temor de mudança é inevitável. É a conseqüência deuma decisão minha, e apenas minha.
Para ser mais claro: eu andava meio perturbado ultimamente, não conseguindo atravessar o dia sem ser incomodado pelosentimento que algo estava fora do eixo e devia mudar, algo emmim que eu não encontrava. Mas alguns sinais foram meapontando o que estava na minha cara, algo que eu deixei delado num passado não distante.
Esses sinais me abriram os olhos para alguns e-mails antigos. Mais exatamente de 2004, quando eu tratava da minha ingressão num trabalho voluntário grandioso onde eu poderia me colocar numa trajetória do qual o resultado seria positivo para mim e para muitas outras pessoas.
Três anos atrás não se falava tanto sobre aquecimento global como hoje, mas algo constantemente me vinha à cabeça: Com tal velocidade de destruição do nossa casa, qual seria o destino que tão brevemente enfrentarão nossos herdeiros? Quando eu era pequeno não se falava muito sobre isso, mas eu já ouvia muito sobre o desmatamento das florestas tropicais. Muitas e muitas campanhas era realizadas para conscientizar a quem poderia estar no caminho e creio que possa ter funcionado de certa forma, pois algumas crianças daquela época, como eu, criaram essa idéia que foi alimentada com o passar dos anos a respeito de preservação. Quando eu tinha 11 ou 12 anos comecei a ouvir e gostar do U2 (o que me gerou problemas já que aparentemente todos que conheço detestam U2), e com o passar dos anos fui presenciando os trabalhos humanitários do cantor Bono, o tipo de trabalho que eu vi na mídia que da área musica apenas John Lennon havia demonstrado interesse e uma certa ação. Como adolescente não tem muito o que fazer, eu gostava de colecionar coisas e ler coisas sobre o U2, portanto lia muito sobre esses trabalhos que Bono realizava na África, e com isso fui me aprofundando mais e mais no assunto. Aquilo me despertou um interesse de tamanho proporcional aos problemas que (alguns de nós) conhecemos que ocorre lá. Pelo tamanho do continente africano, considero vergonhoso o tamanho da dor física que as pessoas que ali vivem sofrem, a dor sentida na alma vem tão logo quanto a fome ou as reações causadas pelas doenças que até mesmo nós aqui que moramos num país de terceiro mundo temos tratamento ao nosso alcance. Quando comecei a me sentir parte de tudo isso e refletir sobre o descaso que se estabelece a respeito da uma saída de cura do continente foi o momento que comecei a pensar e pesquisar meios de me estabelecer como parte da cura. Pesquisei, mesmo sabendo que era novo e que aquilo provavelmente estaria mais acessível alguns anos depois. Encontrei uma ONG chamada Humana People to People que treina no Reino Unido pessoas interessadas em se tornar voluntários. A escola se chama CICD, entrei em contato com uma mulher chamada Marie, que é a pessoa que prepara o recrutamento dos voluntários. Após muitos e-mails obtendo informações ela se propôs a me telefonar para podermos conversar mais claramente e assim tirar todas as dúvidas (e assim ela pode fazer muitas perguntas sobre minha vida para ver se eu seria apto a tal trabalho). Devo dizer que isso exigiu bastante do meu conhecimento de inglês, já que ela não fala português. Ficou tudo acertado, porém seria preciso desembolsar uma grana difícil de se conseguir com 18 anos. A grana da passagem aérea, passaporte, visto, vacinas, matricula e etc somariam um valor que me obrigou adiar esses planos.
Apenas agora, já estando com 22, fui voltar a entrar em contato com Marie e a escola e vendo que meu lugar ainda estava guardado comecei a correr atrás de tudo e aqui estou eu pronto para ingressar nessa longa estória de futuro incerto. O treinamento dura 10 meses e é realizado nesta escola em Patrington Hall, Inglaterra, o trabalho será treinar futuros professores, pessoas comuns das comunidades, trabalhar em escolas da Humana cuidando de crianças, ensinar pessoas sobre higiene e controle de doenças endêmicas, ensinar sobre produção auto-sustentável de alimento, como a utilização de soja, etc. Agora a Índia também foi incluída no programa, alem da África. Meu destino só saberei durante o treinamento. Já com o passaporte e os papéis da matricula em mão, espero o momento certo para contar a minha família sobre esta viajem. Como nem todas as pessoas são compreensíveis e dotadas de bom-senso, para alguns simplesmente terei que contar que irei ao Reino Unido para estudar, o que não deixa de ser verdade. Mas sobre minha participação em um trabalho humanitário deixarei em off para não gerar comentários desagradáveis.
Um dos motivos que este blog foi criado é para servir como um diário durante essa jornada que se iniciará com minha partida, em 14/04/2008. Portanto, futuramente contarei melhor sobre todos esses grandiosos planos.
Abraços