19/09/2007

Tudo Que Você Pode Deixar Pra Trás.

Algo está errado. Algo não está legal. Alguém pode me dizer o que é?
Eu venho buscando uma resposta para isto nos últimos dias, mas não encontro. Não é a mágoa da decepção de uma briga definitiva com alguém que eu tanto apreciava a companhia, nem por ter sido expulso de um grupo de amigos recentemente, nem por estar pagando mil reais da dívida de outra pessoa. Não é a mudança de ares pela mudança de apartamento. Não é problemas de família, tudo está igual.
Simplesmente não sei o que me deixou assim.


Já no começo do mês de Julho, as coisas iam mal. Eu estava incomodado, estressado, queria ficar sozinho e não conseguia. Sentia que precisava de uma mudança, na vida, e uma mudança interna com isso viria. Levei ao pé da letra, mudei de apartamento. Com isso, a mudança de ares veio junto. Aqueles que antes eram amigos e estavam presentes regularmente não mais me procuram e nem me deixam procurá-los. Minha responsabilidade financeira melhorou e com isso comecei a controlar mais apropriadamente meus gastos. Não me deixo mais estar sem grana. No trabalho, minha carga de trabalho foi multiplicada, porém o pagamento também melhorou. Com a família vai tudo bem, obrigado. Resumindo, tudo está indo consideravelmente bem, tirando um probleminha aqui e outro ali, que todo mundo tem.
Porém, algo começou a incomodar. Comecei a perder horas de sono, pensando em coisas da vida, presente, passado e futuro. Somado a insônia pode se imaginar o resultado. Noites mal dormidas e com isso dias sonolentos. Passo o tempo todo com ansiedade, sentido que algo está para vir. Não sei o que é e esse mistério me tortura. Certas coisas não estão me empolgando como antes. Não me interessa mais ir ao barzinho com os amigos, nem ir ao cinema sozinho nas quartas, como antes. Nem conversar no telefone, nem assistir o jornal na TV, nem comprar uma comida mais caprichada pro Domingo. Conversando mais superficialmente com os mais chegados a respeito disso, me foi indicado florais para relaxar e até chá pra me arrancar no corpo. Isso seria interessante, principalmente se eu voltar trazendo comigo nova bagagem.


Voltam à tona palavras, que refletem ao vidro como o sol. Palavras da Fernanda, palavras do meu pai, do meu passado impresso como carimbo na alma. As palavras que celebram como uma certidão o resgate em definir-me, engolindo seco algumas palavras amargas. As palavras boas nós geralmente não guardamos um lugar tão amplo no coração como fazemos com esses anúncios negativos.
Essas palavras se confundem ao futuro próximo, as possibilidades que virão. Remetem à idéia que tudo é predestinado, futuro não é opcional. Destino é uma palavra que incomoda, mas já me está mais do que provado a veracidade.
Enquanto isso vou aqui levando esses dias com essa tortura sentimental, psicológica e mental. Não vejo um cessar-fogo próximo quanto a isso. Sinto uma mudança maior se aproximando a mim e é nessas horas que busco a quem mais me agrada. E é exatamente nessas horas que não consigo as ter por perto. Talvez eu ainda teria a Suki como uma boa amiga se não tivesse cometido erros, ou poderia do mesmo modo ainda ter até certos familiares mais por perto. De resto, o destino se encarregou. Eu hoje me vejo longe de uma irmãzinha de alma porque provavelmente falaria algo pra ela que poderia não agrada-la, se a tivesse por perto. E por assim vai. Tem gente que acha legal eu fugir das pessoas, outras me criticam por isso. Mas apenas eu entendo os motivos de ser assim, e tenho meus motivos, poderia até listá-los aqui. Mas não vem ao caso, com isso insisto nas possibilidades de pessoas especiais ao meu redor.


PS> Marie Forrel vai me ligar semana que vem para uma entrevista, outro motivo de ansiedade. Futuramente explicarei melhor esta história.

12/09/2007

Setembro no Bolso.

Sinto-me culpado por ver o blog tão desatualizado... Não que não vêm acontecendo nada de interessante nesses dias, é que às vezes começo a escrever e me sinto na obrigação de medir tanto minhas palavras que acabo não escrevendo nada. Isso porque sei que muitas pessoas das quais conheço visitam o blog e não sei exatamente quais delas são.
O caso é que não quero acabar ofendendo alguém, inclusive é por isso que não posso contar aqui os fatos tão curiosos que rodearam minha infância, tão diferente das outras por terem como protagonistas visitantes de outros planetas e desta vida e de outra.
Bom, se tem uma coisa sobre mim que posso reconhecer é quando me sinto desconfortável. E é assim que venho me sentindo nas últimas semanas. Decidi, por definitivo, dar nomes aos personagens dessa historia tão mirabolante. Portanto a partir de agora não medirei mais minha escrita e se assim ofender ou chatear alguém pelo menos estarei sendo sincero.


Caro visitante deste peculiar blog, você, como eu, deve ter em sua vida algum amigo de longa data. Este, do qual você tanto estima e deposita uma confiança e carinho adicional. Isto, claro, porque foi adquirida tal confiança no decorrer dos anos graças a longas conversas, experiências boas e goles de cerveja ou similares. Assim como você, eu posso dizer que tenho amigos, de infância ou de apenas alguns anos. Estes de maior valor do que vários outros presentes na minha vida. Existem por exemplo, três amigos que conheci em 1996 na época da escola, e agora estando eu morando em Bauru mantemos contato menor, apenas pela internet. Quando cheguei ao colegial algo inédito começou a acontecer, comecei a fazer amigas também. A primeira de todas foi Jaqueline, em 2000, uma garota do qual fui apaixonado desde 1995 até todos os anos seguintes, até eu descobrir que ela se casará no mês que vem (noticia do qual me trouxe um sentimento inédito do qual poderei relatar futuramente). Foi uma amizade legal, mas apenas de escola. Já em 2002, fiz uma amiga que não entendi muito bem na época como viramos amigos. Ela se chamava Camila, quando eu vi ela entre as outras 27 garotas da minha sala do segundo colegial notei que ela tinha algo de diferente, alternativo e aquilo atraia minha curiosidade. Mas não me animei a uma aproximação, já que nos anos anteriores fui me especializando em fracassar tentando fazer novos amigos (anos depois descobri o porquê). Imaginava que a Camila não iria querer papo, provavelmente me acharia um goiaba por gostar de U2 e trabalhar no McDonald’s. Eu era o único não-músico da família, não gostava de literatura brasileira e achava cerveja uma coisa horrível. Já ela gostava de Pink Floyd, Raul, poesia e artes. E não cheirava mal como as garotas que ficavam matando o tempo no Centro de Convivência. Pelo contrario, ela era perfumada. Bom, logo nos primeiros dias notei que um cara aparício ficava o tempo em cima dela, flertando e enchendo o saco, eu imaginava que eles seriam o casal do ano e aquilo ia passar em branco pra mim. Aproximei-me da Júlia, ela era alguém legal também. Também gostava de Raul, mas infelizmente também gostava de Kiss e derivados do rock-trash (Como alguém pode gostar do Kiss em pleno ano 2002?). Ela era uma pessoa simples, mas de coração bom, eu achava ela muito solitária e sempre com um ar triste. Depois descobri por que. Era tudo ok, mas o problema que eu sentia era que a Julia não me permitia me tornar um amigo de verdade dela, o que eu queria era uma amiga que eu me sentiria como irmão, mas ela não dava intimidade o suficiente para sermos grandes amigos por isso a amizade acabou sucumbindo. E isso aconteceu quando conheci a Camila. De fato, a Camila dispensou o cara que a atormentava, e isto foi algo que me surpreendeu, me mostrou que nem sempre o óbvio acontece. Não lembro exatamente como começamos a conversar, mas quando percebi já sentávamos em carteiras próximas para conversarmos a aula toda, rir dos outros, jogarmos truco ou matar aula pra ir ao Habib’s ou ir comer hot-dog (eu adorava tudo isso, já que nunca prestei muita atenção nas aulas em toda minha vida). Aquilo se tornou interessante pra mim, infelizmente a amizade se limitava a escola, mas já era algo, na verdade eu tinha até medo de virar um amigo de fora da escola e acabar fazendo alguma cagada pra estragar tudo. Não tinha nenhum interesse amoroso, nunca vi desse modo, até porque eu já estava investindo em outra pessoa da sala (investimento de curto resultado). Achava interessante seu estilo, diferente das patricinhas de Beverlly Hills do resto da sala, regadas à maquiagem e arrogância. Imaginava que até meu pai iria querer ser amigo dela, pois era totalmente o estilo de amigo que ele iria adorar.
O tempo passou e quando nos formamos, no fim do mesmo ano (eu só consegui me formar com aquela bela empurrada de barriga, também conhecida como RECUPERAÇÃO de dezembro) acabamos perdendo contato. Mesmo assim eu sempre lembrava da Camila, e sentia falta daquela amizade, pois era diferente das demais. No meio de 2006 algo surpreendente aconteceu. Graças ao difusor de personalidades, o Orkut, consegui reencontrar Camila. Virtualmente apenas, uma pena, mas já é algo, acho que conversamos mais abrangentemente agora que somos adultos do que na época do colégio. Posso dizer que por mais que muitos (e muitas) discordem, minha personalidade e minhas idéias são mais difundidas hoje do que quando eu tinha 16 anos. Engraçado como o passar de um ano podem parecer vários, pois nesses meses decorrentes conheci e desconheci pessoas, amores e desamores e todos eles carregavam uma prova de fogo. A amizade que mais se estabeleceu foi com a Camila, isso me faz pensar: “será que sou tão insuportável que só consigo manter relacionamentos a distancia (vide
Louise Conrath)?” hummm, isso é uma questão em relevância pois reconhecendo que tenho um gênio forte sei que é mais fácil eu afastar as pessoas do que mantê-las, acho que já há muita intensidade no mundo e ninguém realmente quer ter por perto alguém com uma certa intensidade interna. Mas isso foi uma opção, certo dia eu parei e pensei comigo “bom, é agora que minha personalidade realmente se forma, então é a hora de decidir. Ou sigo meus instintos e permito a definição de uma personalidade forte, sabendo dos riscos e toda essa carência humana e bla bla bla, ou me designo como alguém maleável e ao mesmo tempo indiferente as emoções, não me permitindo senti-las ou transmiti-las tão amplamente.” Como podem ver hoje, optei pela primeira opção e isso implicou em certos empecilhos que eu já esperava.

Na mesma época que achei a Camila no Orkut, também achei uma antiga colega de escola da infância. Mas infância mesmo, tipo desde os 5 anos até os 9. Ela se chamava Fernanda, inclusive já foi mencionada nesse blog. Era uma menina tímida, quieta, mas que qualquer um acharia uma graça. Em todos os anos, desde que a vi pela ultima vez em 1993, lembrava dela acima de todos que conheci em Agudos, não sei exatamente por que. Sempre que visitava a cidade pensava em passar na casa dela, imaginando se ainda morava no mesmo lugar e apenas no meio do ano passado tomei esta iniciativa. De inicio já percebi que a Fernanda era uma pessoa diferente agora, também de personalidade forte, mas muito mais sociável do que eu. Gostei de revê-la, mas por algum motivo eu insistia em resgatar o passado na minha cabeça e com isso via as coisas de um modo diferente dela. Pra ela, era como se tivesse acabado de me conhecer e para mim é como se eu a conhecesse a vida toda, tendo viajado apenas por alguns dias. Foi um erro meu, sempre soube, pois ao pensar assim a coloquei num lugar na minha alma que estava vago, reservado a ela, quando na verdade deveria ter estabelecido um grau de proximidade fixo, se é que me entendem. Ela manteve uma certa distancia, totalmente normal, mas para mim o filme estava diferente da sinopse. Eu criei um filme minha vida toda e ele agora estava em outra versão. E por esta minha falta de freio no coração incondicional me afastei dessa amiga que tanto valor tem na minha memória e no que representa o resto da minha vida, desde seu inicio. Me afastei por razões compreendidas apenas por mim, ninguem mais. As coisas que ela me dizia ao meu respeito eram quase sempre verdades mas infelizmente sou de peixes, e sou eu, e com isso levo comigo o que me dizem dentro da alma, e ela dissolve essas palavras como uma sopa fico mexendo essa sopa por muito tempo. Penso muito no que me dizem, principalmente a meu respeito, portanto palavras negativas me chateiam profundamente. Eu sei, exageros, mas foram causados por fatos da minha infância e jamais muda. Se me disse que sou uma péssima pessoa, provavelmente acreditarei e com isso dias cinzas virão a mim por certo período de tempo.
Engraçado o que as mulheres fazem com você, o poder delas sob sua alma é interminável. Não mencionando a parte amorosa, pois isto requer outra postagem analítica. Mesmo as mulheres que tem pequena ou média participação no seu dia-a-dia tem extremo poder de tornar você alguém melhor, ou se sentir o pior cara do mundo. Sempre me disseram que apenas a mulher tem a capacidade de jogar alguém a seus pés e com isso faze-lo a venerar. Isso em questão de relacionamentos amorosos, mas acho que se encaixa bem em amizades também, afinal elas são como um casamento, é preciso valorizar a amizade e mantê-la viva e emocionante para não se apagar e perder-se entre tantos passos dos habitantes deste mundo. Acho que os amigos definem uma grande parcela de sua alma, modelam muito da parte maleável da sua personalidade. Aos amigos e amigas presentes e ausentes, que minha lembrança permaneça em seus corações assim como na memória, pois na minha memória permanecerão todos aqueles que já foram e são meus amigos, de maior ou menor importância e intensidade.

30/08/2007

O Céu Pode Esperar.


Ontem vi a morte de perto. E ela sorriu pra mim e disse “ainda não”!Sendo sincero: eu sempre achei que morreria cedo, daqueles que a família comenta: “mas ele era tão novo!”, sabendo que teria muita coisa pela frente vejo que são possíveis todos os planos serem absolutamente momentâneos. Talvez seja por isso que não me imagino com quarenta anos, casado e com filhos. Talvez eu não alcance estas imagens de 2025.
O que trouxe a tona este assunto que me vem tirando o sono foi o ocorrido de ontem, 29 de agosto, às 18h45min. Vindo eu do trabalho para casa, passei no mercado para comprar algumas coisas. Estava já escuro pelo anoitecer e eu vinha andando carregando algumas sacolas e ouvindo Human Condition, do Richard Ashcroft no fone de ouvido quando atravessei a avenida que cruza minha rua. Distraído pela empolgante música e pela estonteante presença da garota de perfume entorpecente que andava poucos metros à frente, do outro lado da rua, atravessei a avenida olhando apenas para um dos lados e o esperado aconteceu. Eu escutei um som de pneus perdendo os cabelos no asfalto e me deparei com a presença de um ônibus, cujo farol esquerdo pude sentir o calor, tamanha proximidade. A freada daquele monstro me serviu para provar que meu problema de paralisia em situações me pavor não está curada. O motorista do ônibus certamente expressou sua ira contra minha presença, mas eu prefiri nem olhar para ele, tamanho constrangimento e pavor.
Percorri o resto do percurso pra casa pensando na minha vida e no porque de eu ter sido poupado, numa situação de morte certa. Pensei nas pessoas que já amei, nas pessoas que poderiam sentir minha falta, ou não. Pensei que poderia ser injusto eu morrer sem realizar o desejo futuro de construir uma família, de viajar pela Europa e aprender a instalar um chuveiro.Claro, a maioria as pessoas que morrem gostariam de ter feito muitas coisas dos quais não fizeram, e não me considero a pessoa certa a decidir se posso morrer ou não, mas se eu morrer agora digo a vocês que aprendi um pouco com cada pessoa que passou pela minha vida.
Deixando de lado esse dramatismo, neste tempo que andei pensando desde o quase-acidente, me dei conta que a razão de eu não ter morrido é que minha vida ainda será e grande valia a alguém antes disso acontecer. E cheguei a essa conclusão esta noite. São 3 os filmes que estão em cartaz no cinema e eu quero ver. Hoje fui ver um deles, sozinho, por opção própria. Alias, eu gosto de sair sozinho as vezes, mas não gosto de solidão. Não gosto de encontrar conhecidos quando quero ficar sozinho e foi exatamente isso que aconteceu hoje. Quando me dirigia para a fila de entrada me deparei com um conhecido, sua namorada, sua irmã e o cunhado. Achei um saco ter que sentar junto a eles. Eu odeio que fiquem falando durante o filme, por isso sento sozinho. Ainda bem que o filme era ruim, então nem me importei tanto com a presença deles. Na hora de ir embora eu gostaria de ir a pé, pois gosto de caminhar a noite, mas a carona deles foi insistente e inevitável. Mas quando cheguei em casa comecei a policiar melhor meus pensamentos: talvez eu esteja sendo egoísta, anti-social e individualista....! Realmente não sei explicar por que não gosto de me enturmar com um grupo de seres humanos. Imagino que seja porque os humanos são instáveis e imprevisíveis, de um modo ruim. Penso que desdobro e revelo minha pessoa apenas quando me aproximo de 1 pessoa apenas e esta me agrada (o que não é difícil, vide post "Um Breve Comentário").
Mas que se dane, sou mais feliz assim. Espero não morrer até ter feito algumas coisas das quais desejo, enquanto isso os ônibus que poupem minha desatenção.

20/08/2007

O Novo Apê


   Mudança nunca é uma coisa agradável de realizar. Na verdade não sei o que é mais desgastante: procurar um novo lar, arrumar seus pertences ou realizar a mudança. Vou contar aqui como foi a inauguração do meu novo lar e fica a critério de você julgar e trazer esta resposta.Já há algum tempo eu estava de olho neste edifício e em qualquer apartamento que poderia aparecer para alugar. Conheci o prédio graças a uma amiga que mora nele, gostei do lugar e da localização por isso fiquei interessado e quando me decidi por mudar do meu antigo apartamento, já quis saber se havia algum vago. Por algumas complicações burocráticas por parte da imobiliária, fui obrigado a desistir e comecei a procurar outros. Mas por ironia do destino, nenhum dava certo, nenhum me agradava. E duas semanas depois recebo uma ligação da corretora de imóveis me informando que a reforma no tal apartamento que eu primeiramente vi estava acabada e que as complicações burocráticas poderiam ser dobradas. Assim, vim conhecer junto a ela o lugar e adorei logo de cara. Muitos o julgariam pequeno, mas para quem já morou num lugar de 3 metros quadrados de apenas um cômodo, aquilo era um castelo. Alem do mais, não faço questão de ter um lar grande, pois o trabalho de limpar seria compatível ao tamanho do lugar. Sem pensar duas vezes fechei negócio e em apenas quatro dias eu já estava assinando o contrato e tendo em minhas mãos o contrato. Meu irmão, estando passando por complicações sérias de moradia, solicitou habitar meu novo lar até dezembro, quando estaria apto a locar seu próprio lugar, eu aceitei pelo fato de que eu coincidentemente estou apertado de grana até dezembro; por ainda não ter geladeira, fogão ou TV e pelo fato dele ser meu irmão. Sabendo que em três meses ele irá embora, terei que completar a casa com estes tais objetos que me faltam logo, pois quando ele for, levará embora os dele. Para quem acha que o apartamento pode ser ruim, segue abaixo a planta do mesmo que recebi da imobiliária, coisa que nunca me entregaram antes n0s 27 lugares que morei anteriormente. Devo dizer que para alguém que não tem costume de instalar um chuveiro como eu, chegar num lugar onde já há um chuveiro instalado, todas as torneiras funcionam, o sinal da TV é bom, há lâmpadas instaladas e não fios pendurados nos tetos, estas coisas te fazem gostar mais ainda da nova vida. Principalmente por causa da sacada com vista panorâmica, do terceiro andar. Enquanto você divide a casa com alguém, não consegue deixar ele verdadeiramente com a “sua cara”, mas em três meses isto se realizará e o primeiro Apê do Coala será de fato inaugurado.
A procura por apartamentos é sempre algo engraçado e trágico ao mesmo tempo. Engraçado pelas coisas estranhas que se vê e trágico pelas coisas estranhas que se vê. Contei ter visto 9 apartamentos pela cidade em uma semana, e digo que foi algo bem exaustivo.

A mudança foi um episódio a parte, só consegui um caminhão para aquele sábado, e este era consideravelmente grande. Pensem num vagão de trem. O caminhão era bem maior. Utilizamos apenas 1/3 do espaço do veiculo, e não porque tínhamos poucas coisas, tínhamos bastante coisa até. Tanto que o sofá não entrava no apartamento. Ao chegar no condomínio, o caminhão não passava pelo portão da garagem, por isso teríamos que transportas as coisas trazendo da rua. Porém, também não havia lugar para estacionar na rua, o caminhão exigia um espaço físico que logicamente não era cabível no Planeta Terra. Então o senhor estacionou o volumoso veiculo na entrada da garagem, o que acabou gerando certa ira da faxineira, que é responsável pelo que se procede no condomínio. Mas com o aparecimento dos meus avós que vieram ajudar (sim, parece irônico, mas meus avós foram de grande valia nesta mudança) e pouco depois da minha mãe, o transporte correu até que rapidamente. A parte triste foi na hora de pagar o caminhoneiro. Quando tirei um bolo de reais da minha carteira senti lagrimas correndo pelo meu rosto que não sentia há tempos. Nunca me doeu tanto gastar 160 reais. Já que o sofá não caberia no apartamento, saímos eu e minha mãe cidade afora, naquele mesmo momento, procurando algum lugar que poderia trocar por um sofá maior ou comprar tal estorvo, seja qual fosse o valor oferecido. Mas parece que praticamente ninguém é muito disposto a trabalhar nos sábados, pois voltamos de mãos vazias e enquanto isso o sofá ainda aguardava o que seria de seu destino, parado na garagem do prédio ocupando a vaga de um veículo inteiro (digamos, de uma Kombi). Ao final de tudo, o sofá coube, todo o resto coube e tudo está bem. Agora o apê está oficialmente pré-inaugurado, digo isso porque ainda não é possível convidar a todos para conhecer o lugar, mas em dezembro realizaremos uma comemoração e a inauguração oficial. Todos estão convidados!

07/08/2007

Mulheres São Como Uma Caixinha de Chocolates.

Uma vez uma amiga me disse que sou um cara pronto pra uma vida a dois. Quando ouvi isso não sabia se me sentia ofendido ou contente. Acho que optei pelo ofendido. Porra, quer dizer que não sou capaz de ser um bastardo ao ponto de ser chamado de cretino? Claro que sim, prova disso é que fui chamado de cretino algumas dezenas de vezes, ao que me lembro. Mas talvez o fato de eu parecer submisso a alguma amada seja pelas lembranças da sonoridade do poder da mulher, trazida pela minha mãe nos tempos de família feliz (extintos), quando sua voz era a mais alta da casa, fazendo seu marido e dois filhos, três homens, se calarem de prontidão. Hoje encontramos todo tipo de mulher no mundo, mas sempre tem o seu “tipo” preferido. Eu diria que meu tipo é alguma bem diferente da minha mãe. Sem ofensa, mãe.
Mas a fatia de insegurança dos homens é equivalente à instabilidade das mulheres, elas apenas disfarçam (bem) melhor. Eu diria que minha mãe disfarçou bem por muitos anos, por isso quero alguém oposto. Pois se eu tiver alguém instável estará tudo bem, pois saberei que um dia poderei ser largado e se tiver alguém tão seguro do futuro quanto o sucrilhos está certo do leite, estarei tranqüilo quanto a um possível divorcio.
Já fui largado algumas (várias) vezes, mas adivinham garotas: Eu já sabia antes!!! Hahaha, eu sabia que você viria e me diria em 10 minutos que não dará certo e blá blá blá. Isso porque até hoje todas as garotas com que tive algo eram da segunda opção: As instáveis. Então eu já vivia minha vida esperando a hora em que viriam me dar aquele belo pé na bunda. Sendo assim, me serviram para criar o desejo de quando surgir a opção 3: A Segura, eu lutarei bastante para não perder. Enquanto isso, estas que identifico como “As Instáveis” jogaram em mim, para acompanhar o resto das palavras nada carinhosas, a justificativa que sou inseguro. Uma bela e nada criativa justificativa de pé na bunda porque mulher “Segura” não precisa depender de segurança de cara nenhum. Precisar dessa segurança é apenas mais uma prova que ela é a segunda opção: “A Instável”. Mas estas Instáveis não sabem de nada, não leram James Joyce! Eu só finjo que sou inseguro, assim como uma mulher finge que é estável emocionalmente. Afinal, se a garota pensar que sou inseguro e mesmo assim não me dar um pé na bunda, é porque ela realmente vale a pena!

Futuro Não é Coisa da Vovó.


Meus amigos, eu os digo: certas coisas da vida são feitas para não serem feitas. Temos constantes provas disto, a todo o momento em todos os dias de nossa existência. Algumas delas eu simplesmente preferi teimosamente insistir, claro, sem sucesso. Eu deveria, por exemplo, ter parado de tentar tocar guitarra no momento que percebi que jamais tocaria sem desafinar. Isso teria me poupado de alguns vários momentos de constrangimento.
Bom, mas não vem ao caso desenterrar o passado. Vale apenas lembrar o fiasco amoroso do começo deste ano, onde uma série de eventos resultou em uma noite chuvosa, uma cama quebrada e um fora que entrou na lista dos TOP 10.

Levanto uma questão a respeito deste dia: Vale a pena se dedicar a alguém amado? Aliás nem precisa ir muito longe, pode ser alguém que você nem ama ainda, algum começo de relacionamento onde você tenta ao máximo dar um jeito de fazer a coisa andar. Depois de cometer estes singelos, porém significativos atos e depois ser largado como um tênis velho comecei a acreditar que a resposta a esta questão é não. E não digo isso por desilusão, mas por puro aprendizado. Sabendo nós que o coração humano é frágil, comecei a fazer as contas até me dar conta que talvez não valha a pena se sacrificar amorosamente sem retorno garantido, por menor que seja este retorno. Bom, mas como isso é uma opinião que exige distintas visões, venho a sair desse assunto.


Venho me sentindo meio velho ultimamente. Sei que parece paranóia minha, afinal tenho menos de 25 e mais de 20 anos, mas tudo ao meu redor parece caçoar da minha cara mandando sinais incorporados em pessoas vivas. Para ser mais claro vou aos exemplos:


· Um primo mais novo que eu já se casou
· Outro primo um ano mais velho que eu já se casou
· Este mesmo filho já tem um filho
· O primeiro primo mencionado já tem uma filha
· O primeiro e o segundo primo já tem a responsabilidade de levar o lixo pra fora
· Vários outros primos, sendo mais velhos, mais novos ou da mesma idade que eu já namoram.


Ou seja, é como se tudo ao seu redor estivesse envelhecendo e você continua igual. Não que eu queira ter filhos já (pelamor!) ou casar (pelamor também), ou que eu queira levar o lixo pra fora... afinal já faço isso desde já... mas esse sentimento é tão contraditório quanto convidativo a um jogo de poker: é um medo de envelhecer junto a uma sensação de estagnação. As vezes me sinto o cara mais anos 90 do mundo. Tão anos 90 que as Spice Girls se sentiriam no auge novamente. E isso também não é paranóia. Minha mãe, por exemplo, freqüenta as maiores baladas da cidade, as festas mais concorridas, os sites de “eu tava lá” mais famosos da região e ninguém faz idéia da idade dela. Alias, se eu dissesse aqui a idade dela com certeza eu sentiria a vingança de uma mãe furiosa. Mas enquanto isso, eu freqüento bares, botecos, botequins, restaurantes, casas de amigos e todo tipo de programa de índio ou casaizinhos “eu pago hoje”.

Tem gente que acha que sou mais velho que minha mãe, aliás prefiro dizer tem gente que acha que minha mãe é mais nova que eu. Mas o fato de eu não gostar do clima apocalíptico das baladas desde os meus 17 me trouxeram este ar idoso e este olhar cansado. Mas isto é o que os baladeiros me dizem, pois já eu penso que estou sempre disposto a um programa de índio ou uma bagunça. Podem perguntar para quem costuma sair comigo, não rejeito um convite de ir pra (quase) lugar nenhum.

04/08/2007

A Vida Não é Fácil, Meus Amigos.


Tendo eu passado por dias turbulentos, não tive muito tempo para escrever no blog “O Apê do Coala”, mas agora, vendo por outro ângulo, é até interessante retratar aqui o que anda acontecendo.
Eu venho dividindo um outro apartamento com uma colega. Namorada de um amigo. Pode parecer BEM estranho, mas é bem mais simples, na verdade o que aconteceu durante esse período de divisão de ambiente foi o contrário do que muitos supunham. Nós não vivemos tão harmoniosamente quanto gostaríamos. Na verdade foi um pé de guerra constante, regada a discussões e acusações. Mas é claro, tudo nessa vida tem dia e hora marcada para acabar. E o dia está próximo para alegria de muitos. Me dei conta que se eu quisesse preservar a amizade com meu amigo deveria sair logo de lá. Comecei então a pensar mais seriamente sobre isso.
Eu assumo, sou de difícil convivência. Minha prima vive me dizendo que eu tenho que morar sozinho, pois tenho personalidade forte e ninguém me agüenta. Bom, isso é verdade, tanto que já fui expulso de alguns lugares e ameaçado de morte caso voltasse em outros. Mas eu já vejo de outro modo: minha amizade mais significativa já tem muitos anos de duração, acho que já falei sobre ela antes, ela mora em Campinas e me conheceu na escola na época eu morei lá. Pois é, já são alguns anos me suportando, e poucos conseguem. Outra pessoa que me tolera é outra amiga, de Agudos, essa sim merece um prêmio, pois me agüenta desde, digamos, sempre. Desde que nascemos. Sei lá, vai ver mulher me tolera mais do que homem, tem até uma outra amiga minha, esta de Bauru, que atormentei uma vez que me excedi na vodka... explorei a chance de agarra-la, vomitei em cima dela e ainda a fiz me carregar. O tipo de atitude que faria muita gente nunca mais querer te ver, nem pintado de ouro. Mas ela ainda fala comigo, inclusive será minha futura vizinha.
Pois é, já vi gente difícil pra se conviver e são bem diferentes do meu perfil. Geralmente são falantes demais (bom, eu sou um pouco também), porcas, folgadas, irresponsáveis e teimosas. Morei com um cara que ouvia toda hora a mesma música, e ligava inclusive nas madrugadas pacíficas, quebrando o silêncio corrente. Isso é ser chato!
Mas eu concordo com a minha prima, eu tenho que morar sozinho mesmo porque já fiz isso antes e sei que foi o tipo de vida mais adaptável a mim. Então, semana que vêm estarei visitado pela primeira vez o apê e fazendo os acertos finais de inauguração, para me instalar em definitivo.
Já mudei 21 vezes na minha vida, mas eu diria que venho mudando menos nesses últimos tempos. Em 2004 foram 6 mudanças, em 2005 3 mudanças, em 2006 4 mudanças e em 2007 ainda não houveram nenhuma! Será a primeira e única.
Enquanto a burocracia da imobiliária me tira o sono, pego meu violão em casa e tento sem sucesso sonorizar Beach Boys.

“I wish they all could be Califórnia girls..."

23/07/2007

Nossos Vizinhos.

Ah, nossos vizinhos! Estas criaturas únicas e pitorescas com as quais precisamos dividir, pelo menos, nossos ouvidos. E se você, como eu, mora em apartamento, sabe que a intimidade entre vizinhos geralmente extrapola o desejado.
Segundo Murphy (sim, aquele mesmo da Lei), os vizinhos sempre têm gosto musical diferenciado do seu. E como gostam de mostrar ao mundo sua preferência musical! Quanto mais barulhenta e desarmônica a melodia, maior a potência dos amplificadores e a vontade com que giram o botão do volume até o 100%.
Preste atenção: se seu vizinho ouve Legião Urbana, você muitas vezes toma conhecimento de que ele está ouvindo música. Todavia, se ele ouve Rammstein, Iron Maiden, ou qualquer outra banda destas que faz música de videogame, certamente você é testemunha auditiva de todas as vezes que ele resolveu ligar o som. Mas, se ele aprecia uma boa música, que ouve moderadamente nos domingos à tarde... Existe a empregada!
Elas passam a maior parte do dia sozinhas na casa do vizinho, trabalhando sob o som do Apocalypso, Meninões do forró, ou coisa que valha, sempre executados no volume máximo. Por isso, um dia de folga durante a semana ouvindo a música de qualidade duvidosa que sai do apartamento vizinho pode ser mais estressante que um dia de trabalho árduo.

Vizinhos recém-casados tiram qualquer um do sério! É certo: só o amor constrói. Mas tem umas moças e rapazes que pretendem construir todo um universo depois que passam a morar juntos. Não só durante toda a madrugada a gemedeira (e em alguns casos a gritaria!) são nitidamente ouvida pelos vizinhos, mas também em outros horários menos tradicionais. Eu mesmo já testemunhei um urro orgasmático durante o Jornal Hoje, enquanto a maior parte da humanidade está palitando os dentes e ouvindo inocentemente a Sandra Annenberg.

Mas pode ser pior (ou melhor)... Às vezes os vizinhos-coelhos terminam incentivando outros casais de vizinhos a aproveitarem o horário do almoço para recuperar o tempo perdido. E aí, para quem não adere à moda, é como morar num motel... Nestes casos, se você é casado, mora junto, é amancebado ou amigado, vale a antiga máxima: se não pode vencê-los... Afinal de contas, relaxar a gozar resolve até caos aéreo!
E tem também a vizinha que grita. Grita porque é meio surda ou grita porque é mal educada mesmo. Ela acorda 5:30 da manhã no domingo e começa gritando com o cachorro. Depois grita com a empregada, com o filho, com o marido, com alguém que bate à porta... Grita até no telefone, o que me faz questionar-me: pra que telefone se a pessoa do outro lado da linha ouve os gritos dela pela propagação no ar?

Eu tinha uma vizinha que gritava no melhor estilo Nair Bello, e sintia muita pena da empregada dela. Sintia pena de mim também, já que domingo seria meu único dia de real descanso, o dia que eu poderia dormir até as pestanas dos olhos grudarem com meleca de olho.
Chega a ser engraçado! Tem um amigo meu que tem uma vizinha gritadeira que me proporciona boas gargalhadas quando chama marido:

- Ô Uílamis!


Como se fosse pouco, tenho também a vizinha que já foi carinhosamente apelidado de Jardineira da Meia-noite. Isso porque todas as noites, pontualmente à zero hora, enquanto todo o prédio desfruta do silêncio sepulcral do início da madrugada, a cidadã abre a janla da sala e se põe a aguar os vazinhos de plantas que permanece na beira da janela. No primeiro dia foi engraçado, eu estava tranquilamente assistino TV quando de repente começou a chover dentro da sala. Eu, prontamente me coloquei na posição de duvidoso a respeito daquela chuva vinda numa noite sem nuvens e tendo se iniciado tão de repente. Apenas colocando minha cabeça pra fora da janela pra verificar a procedência da tal chuva pude constatar que se tratava apenas de uma certa quantidade de agua caindo gradativamente do andar de cima. Pior que o silêncio noturno só aumenta a riqueza de detalhes audíveis da conversa da jardineira com suas plantas, ou seja lá com quem ela conversa. É possível inclusive ouvir-se o novo encher de água da jarra.


Mas o que realmente me impressiona é a periodicidade e a pontualidade do “momento interação com a natureza”. Todos os dias, meia noite em ponto é a hora de eu fechar a janela pois lá vem água invadindo minha sala. É tão preciso que, quando falta energia e o relógio da TV se desprograma, acerto-o pelo horário da chuva diária...

Sobrevivendo


Sim, sim.. eu sei... o blog anda meio fútil e vazio ultimamente. Mas é só uma coisa momentânea, eu ando meio sem criatividade pra escrever. Devo acusar: é o trabalho. Eu gosto do meu trabalho, mas é rotineiro a ponto de querer viajar pro Iraque.
E aqui estou eu lidando com coisas que não existem no mundo real. Apenas um amigo imaginário do irmão do amigo do cara que desenha camisas dos Beatles que é vizinho da prima de um cara que trabalhou comigo na Claro. Mas enquanto a procura pelo meu apê não começa, aqui estou a habitar nos momentos de desdobramento consciente. E o melhor de tudo: não preciso pagar aluguel!

Fulano: Como foi o fim-de-semana, Julian?
Julian:
Ah, bom você ter perguntado. Eu diria que foi interessante, tive a chance de enfrentar cara a cara alguns velhos medos. Medos das mais variadas coisas numa só ocasião: insetos, floresta à noite, extraterrestres e armas. Posso até arriscar dizer que alguns destes medos foram superados. O que implicou neste enfrentamento foi uma idéia antiga e arriscada. Eu e um amigo tivemos a brilhante idéia de acampar noite adentro na Serra de Agudos, pleno inverno impetuoso e ameaçador. Chamamos mais um amigo, um dálmata hiper-ativo e meu irmão e partimos no sábado em direção a tão temida mata, carregando mochilas supridas de enlatados de feijoada e strogonoff, lanternas, miojos e coragem.
O primeiro erro não demorou a surgir: tivemos que fazer um caminho totalmente fora da rota que eu tinha traçado na minha cabeça. Isso resultou numa travessa tortuosa e íngreme serra adentro. Chegamos no topo lá pelas 18 da tarde, enquanto os outros foram buscar lenha, eu cocei a cabeça e comecei a montar a barraca, do qual se mostrou complicada pois sobraram varias peças que não descobri para que servem. Um dos primeiros aprendizados naquele dia foi sobre fogo. Eu realmente não sabia que era tão difícil fazer uma fogueira, mesmo munido de isqueiros. Na verdade temos uma boa desculpa, estava muito frio e o sereno atrapalhava a propagação do calor. De fato foi algo que levou mais templo do que o planejado, pouco mais de uma hora e uma das cenas que merecem destaque é do colega assoprando tanto na mini-fogueira que quando levantou seu cérebro entrou em Stand-by e o cidadão cai como um morto no chão. O mais desagradável não foi o sujeito ter caído bem em cima da fogueira, foi ele ter caído sob mim trazendo além da lenha quase acesa, todo seu peso. Isso resultou em mim uma dor constante no braço esquerdo que se prolongaria pelos próximos dias.
Mais tarde, já com a fogueira acesa, tivemos a chance de cozinhar pratos tipicamente atípicos, como strogonoff, numa panela improvisada sob a fogueira. O resto da noite se resumiu em ir buscar mais lenha a toda hora, perder um dos colegas inexplicavelmente e ser atacado pelo dálmata a todo momento, temendo pela minha própria vida. Eu confesso, sou um cara bem cagão, tenho medo de floresta a noite e garanto que muita gente também tem. Mas naquela noite tive até a (falta de) lucidez de ir dar uma volta de vez em quando só pra sentir como é andar no meio do nada tendo nada além das estrelas por cima e a lanterna na mão. Aliás, agradeço a lanterna por não ter pifado em nenhum momento, ou aí sim eu iria ficar paralisado de medo no escuro no meio do mato. Seria bem desagradável.
Apesar de ainda não me declarar Amigo dos Extraterrestres fiquei imaginando que seria interessante se recebêssemos esta visita inesperada do céu. Sinceramente não sei qual seria a reação dos meus amigos, mas a minha seria provavelmente tentar fazer amizade com os seres e pedir que me tirassem desse planeta esquisito. Fiquei bons momentos olhando pra cima esperando alguma atividade incomum no céu, mas não via nada além de estrelas.
Uma pena.
Dormir era um luxo numa situação como aquela. Os momentos que entrei na barraca pra tentar cochilar ou o dálmata vinha lamber minha cara ou os colegas invadiam, fugindo da chuva.
Na manhã seguinte tirei algumas fotos, juntamos as tralhas e começamos o caminho da decida, de volta a cidade. Este caminho fizemos pelo mesmo modo errado da vinda.
E a merda de fazer um caminho errado são as coisas inesperadas. E milhões destas coisas invadiram meu corpo e deixaram estas marquinhas que me fazem coçar como um cão vira-latas. Foram carrapatos, milhões deles dos quais levei o resto do meu produtivo dia em casa pra tirar. E me deram uma tremenda reação alérgica que fez aparecer bolinhas por todo o corpo. Quem olha pra mim hoje pensa que estou com catapora. Minha roupa ainda está submersa lá na área de serviço, esperando que eu decida se vou tentar lavar e eliminar os desagradáveis carrapatos ou incinerar e jogar no lixo.
A segunda opção é a mais provável.
Bom, sei que estes bichos carregam inúmeras doenças mortais aos seres humanos, então fica aqui meu registro de rejeição ao próximo convite de ir pro mato.

02/07/2007

O Que é Marketing

As pessoas sempre pedem uma explicação sobre o que é, exatamente, Marketing! Pois aí vai uma das melhores explicações.
Na prática é isso aí:

1. Você vê uma mulher numa festa. Você vai até ela e diz: "Eu sou Foda!" Isto é Marketing Direto.

2. Você está numa festa com um grupo de amigos e vê uma mulher. Um de seus amigos vai até ela e, apontando para você, ele diz: "Ele é Foda!" Isto é Publicidade.

3. Você vê uma mulher numa festa. Você vai até ela e consegue o seu telefone. Você liga no dia seguinte e diz: "Oi! Eu sou Foda!" Isto é Telemarketing.

4. Você vê uma mulher numa festa. Você se levanta, ajeita o cabelo, vai até ela e diz: "Com licença." E ajeita a alcinha do vestido dela, roçando de leve no seu braço e conclui: "A propósito, eu sou Foda." Isto é Relações Públicas.

5. Você está numa festa. Uma mulher se aproxima de você e diz; "Me disseram que você é Foda." Isto é Reconhecimento de Marca.

6. Você está numa festa e vê uma mulher. Você a convence a ir para casa com seu melhor amigo. Isto é Representação de Vendas.

7. Seu amigo não a satisfaz e ela liga para você. Isto é Suporte Técnico.8

. Você está indo a uma festa quando você se dá conta que poderia haver um monte de mulheres em cada uma das casas pelas quais você está passando. Você sai do carro e do meio da rua grita bem alto: "EU SOU FODA!" Isto é Spam...

27/06/2007

Eu sou idiota!

Hoje reparei um pouco mais na pessoa refletida no espelho. Fiz uma séria constatação. EU SOU IDIOTA! Isso mesmo, idiota. Mas não pense que tenho vergonha disso.
Nos dias de hoje, ser idiota é privilégio. Os idiotas de hoje são aqueles que conseguem sorrir mesmo quando a dor aperta. São aqueles que ainda dizem Eu te Amo olhando nos olhos, que valorizam abraços e gostam de andar de mãos dadas. Idiotas são aqueles que crêem num sentimento sincero, que ainda acreditam no amor, que escrevem coisas vindas da alma e que mandam flores.
Idiotas são sentimentais. Se magoam com a menor das brigas e lutam pela reconciliação. São aqueles que não ligam para o que os outros dizem, eles se dão por completo.
Idiota é aquele que pede desculpa mesmo sem ter errado, que pede licença, que dá bom dia, boa tarde, boa noite. Que pergunta “como vai?”, “precisa de alguma coisa?”, “ta tudo bem?’. É aquele que não esquece nem do amigo que não dá mais notícias, aquele que lembra da infância e comemora o quanto foi bom.
Idiota é aquele que ri de si próprio, que brinca de descobrir desenho em nuvem, que anda descalço e toma banho de chuva. Idiota é aquele que, mesmo nesse mundo corrompido, insiste em ser sincero. Que estende a mão pra ajudar quem for, que faz o bem sem olhar a quem.
Idiotas se preocupam, se arrumam e se enfeitam para ver a pessoa amada. Querem estar sempre belos, nem que seja só pra se olhar no espelho.
Idiotas se divertem.
Idiotas tem amigos.
Idiotas amam.
Idiotas são felizes...
Depois disso tudo, eu te pergunto:
Vale ou não a pena ser idiota?
Garanto que vale!!!

30/05/2007

E Quem Disse???

Wow, e de repente eu estava lá, em frente ao McDonald’s pronto para entrar novamente depois de 4 anos. Desde que trabalhei lá, em 2003, jurei que não daria mais um centavo aquela organização comestível detestável. Mas naquele momento de uma tarde de Maio de 2007 eu já não tinha escolha.
Naquela tarde eu senti coisas estranhas, novas. Saí do trabalho às 15 horas e fui de encontro a uma amiga de 23 anos e seu filho de 4 anos, no calçadão da cidade. Posso dizer, cavando minha própria sinceridade, que venho me sentindo mais atraído a ela desde que ela terminou com o namorado, de forma trágica e traumatizante, há algumas semanas. Acompanhei-a e o filho pelo resto da tarde e mais tarde fomos ao Mc para agradar ao garoto. No momento em que eu pegava uma bandeja de Mc Lanche Feliz com um Batman dentro da caixinha para o garoto, me deu um arrepio momentâneo. Senti-me como um amigo meu, que tem 33, é casado e tem três filhos, lembrei quando ele me conta de quando leva os filhos ao McDonald’s.
Engraçado que não me veio aquele sentimento que sou novo demais para esse tipo de situação. Afinal essa amiga tem apenas um ano a mais que eu e já vivencia isso constantemente. O sentimento que me veio foi que eu devia me preparar com aquilo, pois talvez não venha a demorar a concretização disto.
Caramba, e meus planos de vida???

25/05/2007

Vagalume


Engraçado... quando eu era pequeno caçava vaga-lumes no quintal de casa pra colocar no quarto a noite, só para ficar observando-o voar pelo quarto piscando aquela luz amarela.

Hoje, anos depois, a situação se reverte. Como ontem a noite, eu tentando desesperadamente capturar o vaga-lume que entrou no meu quarto pela janela, me impendindo de dormir . Como é dificil expulsar um inseto deste. Se você acende a luz fica dificil encontra-lo, então seguindo-o no escuro pode ser guiado por sua luz, mas quando ele apaga e se enfia dentro da TV ou na orelha do gato a coisa complica.

Bom, mesmo tendo envolvimento com um certo livro a respeito de vaga-lumes há alguns anos, isto não minimizou meu desejo de colocar um para fora de casa. E isto ocorre por dois motivos, por ser um inseto e por piscar uma luzinha chata perto de você enquanto tenta dormir após um dia exaustivo de trabalho.

E faz-se a luz.

09/05/2007

Canoa Furada!


Sou sincero, não sei nadar. Nem sei ao menos boiar. Isso já trouxe conseqüências bem ruins, a meu ver. Significa que quase me afoguei diversas vezes. E não é por falta de vontade que nunca aprendia nadar, já tentei muitas e muitas vezes aprender e muitas pessoas tentaram me ensinar. Quando eu tinha mais ou menos oito anos de idade meus pais me colocaram numa escola de natação com o objetivo de me submeter ao primeiro de vários estágios para eu aprender a sobreviver sozinho (do quais foram necessários dez anos depois). Foi uma grande frustração a ambos, pois eu nunca consegui aprender, não largava a boinha de colocar no braço por nada. Se não fosse constrangedor eu as usaria até hoje. Naquela mesma época, eu costumava assistir filmes de piratas com meu avô durante as tardes. Eu adorava aquilo, devia ser emocionante ser um navegador sujo e alcoólatra que brigava em bares e era chamado de verme em público. Mas o prazer maior seria navegar, com aquele sentimento de liberdade a bordo. Era isso que eu queria, ingenuamente, ser. Imaginava que se não conseguisse atingir meu megalomaníaco objetivo de vida, que era ser John Lennon, então eu teria um barco e não faria outra coisa na vida a não ser navegar.
O tempo passa e você percebe que não é tão fácil alcançar estes planos insanos de infância, então acabei trabalhando para operadoras de celular. Que maravilha. Mas é estranho como às vezes, quando estou enrolando na minha mesa fingindo que estou trabalhando, me pego admirando o horizonte e sentindo o vento numa praia apenas esperando embarcar. Então sou interrompido por alguém querendo comprar recarga para um celular velho. Eu não sei o que me atrai tanto a isso, talvez seja o puro sentimento de liberdade, algo que eu tanto prezo nesta vida e sei que é uma das coisas que mais nos é ausente. Eu acredito que se fosse fácil irmos de um país a outro neste mundo, seríamos pessoas imensamente mais felizes. Talvez eu tenha um problema com essa coisa de ficar muito tempo no mesmo lugar, pra mim fazer isso é o mesmo que estar preso. Estando um ano nesta cidade eu já estava ficando maluco pra ir para outra. Se não pudesse sair pelo mundo afora navegando, queria subir numa moto e sair rodando América acima. E a parte irônica disto é que eu não sou muito adepto a motos, acredito que numa única queda você pode ganhar uma passagem de ida pro andar de cima. E também sei que se cair no mar é um abraço, pois sei nadar tão bem quanto um tijolo.
Mas seja navegando num barco, pilotando uma moto ou voando num OVNI, acredito que todos deviam buscar dentro de si o rumo á liberdade. Não se acomode com sua vida, não aceite o suficiente. Não existe “o suficiente”, isso é o mesmo que “o limite” e para o coração humano não existe limite.
Cá abaixo, uma música que me faz lembrar um pouco desta liberdade que se remete em desejo.

“Feche a porta, o sol vai se por.
Acenda o fogo, não deixe o frio entrar.
Vou tentar navegar pra longe do resto da minha vida.
.
Encontrarei um barco pra tomar conta
Cheio de esperança pelo passo que darei.
Vou tentar navegar pra longe do resto da minha vida.
.
Passei muito tempo ouvindo o capitão do mar,
Gritando ordens a tripulação; Ninguém escutava além de mim.
.
Navegando, sem um nó amarrado.
Levantando a vela, vento forte vem chegando.
Vou tentar navegar pra longe do resto da minha vida.
.
Feche a porta, o sol vai se por.
Acenda o fogo, não deixe o frio entrar.
Vou tentar navegar pra longe do resto da minha vida
Vou tentar navegar pra longe do resto da minha vida.”

07/05/2007

Dez Real

De onde venho às pessoas eram presentes diretamente na vida umas das outras. Era, no passado, uma cidade onde praticamente todos se conheciam e com isso vêm aquele desagradável sentimento de falta de individualismo, aquele necessário na nossa vida. Mas não permaneci lá tempo suficiente para me tornar assim, nos anos decorrentes vivi em uma cidade bem maior. Nessa época que você ainda está definindo sua personalidade, você pega traços da sociedade em que vive para formar seus próprios valores. Digamos que eu fiz o possível para tornar meus valores únicos, e não para ser diferente, mas por saber dosar os caminhos incorretos que criamos para si. Talvez um desses valores seja a idéia da responsabilidade que temos sob a vida humana. Eu via que quanto mais as pessoas se acostumassem com a morte brutal de um assassinato, suicídio um homicídio ou latrocínio, elas também se acostumava com a idéia que isso é normal. Mas não se pode acostumar com a morte.
Lembro que um dos meus primeiros contatos com essa violência urbana foi quando fui assaltado pela primeira vez. Eu estava com meu irmão, demos 10 reais para um maldito viciado. Eu tinha 13 ou 14 anos, mas lembro bem de esconder ao máximo a raiva que senti disso. Não por ser assaltado, mas por ver alguém que me importo tendo a vida ameaçada por um verme suburbano. Depois desse assalto, ainda sobrevivi a mais 13, mas por mais que eu fosse ameaçado com um revolver ou uma faca eu ficava apavorado quando alguém da minha casa chegava dizendo que foi assaltado. Minha vontade era de sair pela porta atrás do desgraçado com uma barra de ferro e faze-lo pedir desculpas. Talvez esses fatos tenham sido o que criou a violência que aprisiono ao máximo dentro da alma, tendo ela escapado algumas vezes tempos passados.
Certo dia eu estava andando pelo comércio da cidade e vi um alvoroço na frente de um edifício empresarial. Um certo funcionário desta empresa, cuja função era permanecer no elevador levando as pessoas para cima e para baixo, e cansou de pagar contas e gastar todo seu salário com sua própria sobrevivência e resolveu se atirar do 11º andar, tendo o azar de antes de atingir o chão ainda cair sob o letreiro da empresa que ficava na entrada do prédio. A polícia bem tentava esconder a cena do qual todos em volta tinham a grotesca curiosidade de ver, mas quando os oficiais precisaram tirar fotos tiveram que levantar o pano que estava sob o corpo. Aquilo foi bem horrível, eu mesmo preferia não ter olhado, o sujeito virou uma panqueca e parecia que alguém colocou ele dentro de um microondas, pois ficou todo deformado e com os membros todos desordenados, com um pé do lado da cabeça, etc.
Algum tempo depois eu estava indo a algum lugar e andava numa grande avenida da cidade, passei do lado do prédio do CityBank. Tive a falta de sorte de passar bem na hora que alguém estava fugindo do banco com uma arma na mão. Eu ouvi alguém gritando para parar e olhei para trás, pela porta do prédio saiu um sujeito correndo, carregando uma arma e atrás dele outro sujeito apontando uma arma. Eu era a pessoa mais próxima dos dois, o prédio ficava de esquina e eu estava na esquina. Meu coração pausou por um momento e eu gelei. Não consegui abaixar, correr, fazer porra nenhuma. O primeiro cara parou, temendo levar um tiro e o outro o rendeu. Decisão certa, rapaz! Até hoje não sei o que estava acontecendo lá, pois o cara estava bem-vestido demais para ser um assaltante de banco. E ninguém rouba um banco sozinho. Depois daquele fato eu me policiei para nunca mais paralisar em momentos de tensão. Afinal quando eu estiver casado e com filhos e extraterrestres descerem no meu quintal eu não vou poder me paralisar de nervoso.
Alguns anos depois escolhi deixar aquela cidade, grato por tudo que aprendi lá, inclusive sobre os extraterrestres. Mas estando agora numa cidade muito menor, percebo as diferenças sociais presentes, que de certo modo sempre acabam me atingindo. Algumas pessoas me disseram que não sou muito comunicativo com desconhecidos. Disseram que sou objetivo demais, muito sério e não muito sociável. Não posso obrigar ninguém a entender, mas eu sempre vivi no centro de uma mega-cidade, não morei no subúrbio, morava num lugar onde não sabemos o nome do vizinho, nem a cara dele. Pessoas desconhecidas não trocam muitas palavras, pois você não sabe se ela vai ameaçar sua vida em 2 minutos.
Eu não faço o perfil de quem gosta de morar no subúrbio, conversar com os vizinhos e ir à padaria de Havaianas. Odeio andar devagar na rua, fazer as coisas devagar e esperar. Eu gosto de morar em apartamento, em áreas urbanas, e não gosto de conversar muito com quem não conheço, principalmente com homem. Por tudo isso me considero um Anti-Social. São todas as características de alguém que vai morrer cedo.
Será que um dia vou casar? Deve existir alguma mulher que não quer viver no subúrbio.

03/05/2007

Guinness Para Vencedores


Sempre soube que os irlandeses estão para cerveja como nós estamos para o futebol. Péssimo exemplo, melhor dizer “como os japoneses estão para o sushi”. Sempre foi uma das minhas grandes curiosidades (junto a outras como: “Deus é aquele cara que eu vi no quarteirão de baixo?” e “porque as Spice Girls falam meu nome no meio de uma música?”) saber o gosto da cerveja irlandesa.
Semana passada, andando pelo mercado Pão de Açúcar, enquanto procurava a cerveja Heinneken para abastecer minha geladeira (apenas porque ela é menos amarga e com isso, tragável) , avistei ao horizonte no topo das prateleiras, uma majestosa lata preta de 440ml com os dizeres impressos em letras garrafais e em negrito “Guinness” e mais embaixo “Serve Extra Cold”. Vi ali minha grande chance de realizar um dos meus grandes feitos desta vida tão peculiarmente tortuosa e chata, e me apossando dela senti meus punhos se tornarem fortes. Logo após este sentimento de força veio a repetina fraqueza ao avistar o preço de tal beleza material, R$ 9,95. Uma lágrima de decepção correu pelo meu rosto, juntando-se a lágrima de alegria que acabara de escorrer.
Seguindo uma minuciosa subtração feita de cabeça, me vi na possibilidade de levar 1 lata de Guinness, na condição financeira de deixar para trás 10 das 12 garrafas de Heinneken que havia pegado na prateleira de baixo, minutos antes.
Dias depois, tendo a brilhante e viva lata repousado na gaveta de baixo do congelador da antipática geladeira do meu apartamento, vi uma boa oportunidade de leva-la garganta abaixo. Isso veio num dia que eu sentia que poderia me embriagar e comprar um velho navio, para dentro colocar outros bêbados e um cão fedorento vira-latas que vi perambulando naquela manha numa esquina sem-graça da cidade. Sentia a decepção por ter não dois barris de 20 litros de cerveja irlandesa, e sim uma lata com apenas 440ml, onde seria difícil me embriagar nela. A não ser que eu a completasse com um pouco do álcool que havia na lavanderia, mas isso ficaria para uma futura oportunidade de auto-depreciação.
A primeira revelação foi a consistência do liquido que havia dentro da lata. Como na lata dizia “Pour Into a Glass” (meus conhecimentos lingüísticos diziam que significava “Servir Em Um Copo de Vidro”), tratei de entornar a cerveja num copo de vidro, como a lata me ordenava. Minha primeira impressão foi que essa cerveja mais parecia um daqueles sorvetes que você joga Coca-Cola em cima, mais conhecidos como Vaca-Preta. Depois que a espuma amarronzada baixou, me veio na lembrança não mais a Vaca-Preta, e sim o chocolate-quente que minha mãe fazia nos dias de intenso e detestável frio que fazia nas noites de Julho em meados dos anos 90. Mas o gosto não se assemelhava em nada ao chocolate-quente dos anos 90, era mais algo estranhamente novo. Nunca na minha vida tomei uma cerveja tão forte, puta qui pariu!
Mas digo que ela é única, não consegui ainda dizer se é boa ou ruim. Acho que se eu tomar mais umas dez poderei responder com a maior certeza deste mundo acalorado. Como ela é um pouco cara, peço a quem leia isto, algum amigo de copos, sejam de álcool ou refrigerentescos ou simplesmentes aguados, que façam uma boa ajuda para eu poder comprar mais Guinness e assim determinar minha convicta posição sobre o gosto de tal lenda dos pubs irlandeses. O numero da minha conta é 30623-1 agencia 1914-3 do banco Bradesco. Deus o devolva em boa hora de necessidade gástrica.
Grato!

Three Chords and The Thruth




Nas últimas semanas, sempre que estava sem fazer nada em casa me batia uma vontade de tocar violão. Talvez porque por toda minha vida estive habituado a ter por perto muitos instrumentos musicais, pelo fato dos meus pais serem músicos. Ter a falta daquilo incomodava.
No começo desta semana recebi a merecido salário, depois dar duro o mês todo agüentando todo tipo de panacas no trabalho. Dando uma volta numa fervorosa, porém nada agradável, avenida da cidade, passei por uma loja de instrumentos musicais. Como não sou de acreditar em coincidências, entrei e poucos minutos depois saí com um violão em punho.
Achei ele até bem estilizado, não sei porque mas foi exatamente ele que me chamou a atenção dentre tantos outros. Talvez porque fosse o mais barato.
Mas ao final do dia, já em casa, pude experimentar outro sentimento além do prazer de escutar os sons do vibrar das cordas de aço. Esse sentimento foi a lembrança que reviveu em minha mente no mesmo instante, trazendo consigo a afirmação que não toco porra nenhuma. Isso eu tinha esquecido com o passar destes conturbados anos sem-violão.Bom, como segui teimosamente o curso de violão em 1998, cheguei a aprender 5 ou 6 acordes. Estes me vêm sendo de grande utilidade, já que me permitem tocar apenas musicas ridiculamente fáceis.



30/04/2007

Férias de Casa

Eu venho passando as últimas semanas me perguntando que porra estou fazendo. Quer dizer, eu planejava manter minha vida como ela estava, sem manter muito o que carregar para poder me locomover a próxima moradia com mais facilidade. Por isso, a maior coisa que eu tinha era o computador. Mas neste ano eu fiz minha própria filosofia de vida mudar com a idéia de certa estabilidade confortável. E acho que fiz isso quando parei para contar, só por curiosidade, com quantas pessoas já morei. O resultado foi 47. Isso é muito para quem tem apenas 3 anos de estrada. Se eu continuar nesta em 9 anos terei morado com 188 pessoas. Então resolvi sossegar e retomar a vida “lobo solitário” do qual experimentei há algum tempo em Campinas. Tendo assinado um contrato de permanência até dezembro de 2007, ainda terei que permanecer com a 47ª pessoa por este ano inteiro. Mas já tenho todo o plano de moradia traçado para a partir desta data fixada, dez/2007!
A quem não vivenciou um a experiência árdua como esta, os digo: não é fácil, amigo. São muitas e muitas coisas que se deve comprar para tornar uma casa habitável, um lar. Moveis grandes, miudezas, todo tipo de coisa. Há dez anos eu jamais me imaginaria na sessão de utensílios de cozinha do mercado, escolhendo a cor do carrossel de pregadores de meias. Quando me peguei nesta situação, semana passada, me deu um estalo e comecei a pensar sobre isso. Sinceramente pensei que fosse surtar e que precisaria de ajuda média para voltar a mim mesmo e meu corpo voltar a obedecer aos meus comandos. A senhora do meu lado, escolhendo vassouras, me olhou com uma cara estranha.
Foi algo estranho aquele flash, mas profundo. Significa, talvez, que eu estarei casando comigo mesmo e caso enjoe da vida que levarei, não poderei fugir novamente.
Me fez perceber também que venho me tornando uma pessoa muito analítica. Ainda estou tentando descobrir se isso é bom ou ruim.
Até recentemente eu já tinha traçado o plano para os 20 anos seguintes da minha vida, mas neste ano tudo pareceu estranho e me vi obrigado a colocar esses planos no triturador de papel e esquecer. Eu sei EXATAMENTE o que causou esta reforma, foi quando descobri que estava errado sobre algo que pensava sobre mim mesmo. Foi um sentimento inédito, que tenho certeza que poucos neste mundo tiveram a chance de sentir. E quando isso aconteceu, eu simplesmente parei, olhei o nada com cara de espanto e disse: “Cacete, então eu não me conheço direito!” Então quando eu tinha 14 anos e meu pai me dizia “Eu te conheço bem, moleque!”, ele estava errado! E quando aquela loira da quinta série me disse “Depois de te conhecer vi que você não era o que eu pensava” ela também estava errada. Bom, mas neste caso eu até a apoio, é preciso me conhecer apenas 70% para perceber que sou chato pra cacete.
Mas o bom de tudo isso é que quando as pessoas te fazem um comentário sobre você, você passa a prestar mais atenção. E quando você sonha, você presta mais atenção até nisso, para descobrir mais sobre si. Eu tenho a chance de ter por perto alguém que me colabora com estes comentários construtivos. Na última quarta-feira, saí para beber e conversar com ela e acabei criando uma discórdia entre nós por um motivo ridículo, que me fez me sentir um idiota depois (Nota: lembrar de pedir desculpas.). Neste período de discórdia ela me disse que as vezes encho o saco, isso é relativamente concordável, já que ela não foi a primeira pessoa a fazer tal afirmação. Neste comentário específico eu não faço objeção, mas sim uma colocação: Não é bom ter por perto alguém que é chato de vez em quando? O ideal de chatice eu diria que seria de 8 a 10%. Fala sério, alguém que é SEMPRE legal é um saco! A coisa fica muito maçante e você enjoa facilmente desta pessoa, eu mesmo gosto de ter por perto pessoas que de vez estão um saco.
O segundo comentário que me levou a uma auto-análise demorada foi que sou louco. Bom, a respeito desta palavra eu diria que ela é contestável, afinal o que se define “louco”? É um termo tão amplamente duvidoso que eu mesmo não poderia definir se um indivíduo é louco ou não. Acredito que se pode chamar de louco alguém que você vê nadando na sarjeta, ou conversando com a foto do cachorro desaparecido colado no poste da Rua 15.
Conheço pessoas muito normais que se auto-denominam loucas e acham a coisa mais linda. Eu sinceramente acho degredável, mas sou obrigado a levantar tal pensamento: será que existe o “normal”? E se existe, alguém é 100% normal? Se existe esse alguém, será que ele não é chato pra cacete, por levar uma vida que provavelmente é metódica, rotineira e maçante, passando os dias sendo uma pessoa totalmente submissa, sem levantar grandes questões sobre a vida?
Se ser normal é isso, eu passo, e prefiro levar o depreciável adjetivo “louco” a me manter na condição de instrumento humano, uma engrenagem colocada na função de manter o mundo como ele supostamente deve ser.
Mesmo assim, posso afirmar que sou chato as vezes, sim, mas não sou louco. Talvez louco seja continuar a levar essa vida boêmia e nômade, de incertezas e doideiras, sem um verdadeiro lar para abraçar com todas as forças e entender a necessidade que a mente tem em ter um lugar que serve como o berço de suas idéias.
A esta minha amiga que sempre me ajuda a compreender mais sobre ela e sobre mim mesmo eu digo que ela será a primeira a conhecer a casa nova, em dezembro.

24/04/2007

Temporada Aberta


Muita gente confunde esse negócio de amizades. Dão importância a coisas passageiras, porém de maior intensidade. Eu não sou contra isso, aliás sou prova viva que isso existe.
Por toda minha vida tive o que posso chamar de amigos de temporada. Tive alguns da escola no começo dos anos 90, outros 94 a 99, outros 2000 outros 2001, outros 2002-2004, outros 2005 e 2006 a 2007. E sei que isso se sucedera pelos anos seguintes, talvez em menor escala de quantidade.
Mas considerando tudo isso, outro dia me peguei pensando sobre algo de grande valia. Quando eu tinha 7 anos de idade, meu melhor amigo era o Urso, o camarada que está na foto acima. Coitado do Urso, perdia seus olhos toda semana e lá ia minha mãe costurar novos olhos feitos de botões antigos da minha bisavó. Nesta mesma época, eu estava já na escolinha, na minha ex-cidade natal, e lá eu tinha meus amigos habituais que toda criança de 7 anos tem. De todos estes amigos, hoje eu sei o paradeiro de 5 ou 6 deles. Mas tinha alguém em especial que eu me lembro bem. Engraçado que na verdade não haveria possível motivo/razão para lembrar. Isso porque poucos anos depois eu haveria de mudar de cidade deixando todo o passado e todos presentes nele para trás. Mas algo não ficou pra trás, foi a lembrança de uma garotinha japonesinha muito bonitinha, que participou de todos estes meus anos escolares iniciais, 5 ou 6 anos, sei lá.
Quando eu visitava minha ex-cidade natal, passava em frente a casa dessa garotinha e imaginava como ela estaria, mas durante aqueles anos nunca tive coragem de tocar a campainha. Sei lá porque, ia parecer muito coisa de filme, eu provavelmente iria me sentir um idiota.
Em algum mês de 2006, eu estava passando por dias bem conturbados. O mundo parecia conspirar para jogar porcaria na minha frente, eu estava na merda mesmo. Sem emprego, vendo os amigos pisarem na bola e sendo bancado pelo primo. Eu estava descendo a rua, nesta minha ex-cidade e algo me puxou, parecia magnetismo.Quando vi, já estava na esquina da casa dessa garotinha do passado, mas era algo engraçado porque haviam duas vozes e cada um me dizia uma coisa. Uma falava para ir lá, dar um oi pra ela, vocês se davam bem na infância, poderiam ser amigos agora. A outra me dizia que era estupidez, ela acharia que você é um tarado por vir atrás depois de 12 anos, isso se ela ainda morava lá. Mas a razão dizia que ela morava lá, e não havia nenhuma intenção estranha minha. Só queria conversar mesmo, dar o ar da graça e um até logo.
Não sabia que porra fazer então bati palma. Realmente fico perdido quando não encontro a campainha de uma casa! Então ela apareceu na porta e o que me veio á cabeça foi “Nossa, ela realmente não envelheceu depois de todos esses anos.” Mas era sua irmã mais nova, logo apareceu essa amiga do passado na porta.
Hoje digo uma coisa: eu já me arrependi por ter deixado de fazer muita coisa na vida, mas isso que fiz foi minha melhor decisão de 2006. Eu ganhei uma amiga, uma que já participou do passado e agora se faz tão importante no presente que jamais recuso quando ela chama pra tomar um “glub-glub”, mesmo tendo que pegar um ônibus até a cidade vizinha e depois perde-lo, como sempre.
Ela meio que se tornou uma confidente, mesmo achando isso ridículo. É, eu também acho, mas muita coisa pessoal, eu só conto a ela porque seu senso crítico e tão aguçado e realista que me coloca com os pés no chão e me faz perceber coisas sem querer. Isso eu já notei nas nossas primeiras conversas. Sabe aquela coisa de amigo imaginário? Eu sinto meio que isso, só eu vejo, só eu ouço. Dentro destes dias estranhos, onde eu estou vivendo normalmente e de repente tudo é um sonho e eu acordo, temo acordar e ver que eu ainda não fui lá na casa dela dar um “oi” depois destes 12 anos.
Mas dentro de mim, a sensibilidade que ela parece tentar esconder me fascina, e percebo nesses dias que luto para ser um amigo tão importante a ela quanto ela é para mim.Afinal, meus primeiros amigos da vida foram o Urso, que inclusive nasceu antes de mim, e essa garotinha linda, que hoje é a mulher que eu agradeço por não ter me evitado quando eu re-apareci, por perceber que eu voltei oferecendo uma amizade de homem-mulher que poucos acreditam que seja possível existir hoje em dia. Para mim essa amizade que vem se solidificando é mais importante que a somatória de todas essas amizades de temporada que já tive/tenho. Engraçado as necessidades da alma humana, ela vem em forma de jogos do destino, decisões rápidas, e quilômetros percorridos pela chuva.

20/04/2007

Um Nome, Uma Sina.

Em toda minha vida, conto nos dedos de uma mão quantas pessoas já acertaram pronunciar meu nome como ele supostamente é. E conto nos dedos da mão do presidente quantos já acertaram escrevê-lo. O presidente certamente não seria um desses.
De qualquer forma, quando vou a um desses lugares que a moça pede seu nome pra chamar quando for sua vez, eu sempre digo um mais fácil. O nome da vez é Eunuco. Uma já achou estranho, mas eu falei que tinha uma irmã chamada Eunice, e ela engoliu.